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Repressão em Hong Kong. Jornal pró-democracia Apple Daily pode fechar

Jornal viu congelados 2 milhões de euros.

O jornal pró-democracia Apple Daily, de Hong Kong, pode fechar esta sexta-feira. Os bens do grupo foram congelados esta semana, depois da polícia ter efetuado buscas ao jornal e detido cinco pessoas. O diário não consegue pagar os salários dos jornalistas.

O Apple Daily apoiou os protestos antigovernamentais que abalaram Hong Kong em 2019. O diário sempre se destacou por defender publicamente as liberdades civis no território.

O proprietário do jornal, Jimmy Lai, está a cumprir uma pena de vários meses de prisão pela participação nos protestos e enfrenta ainda acusações por "conluio com forças estrangeiras", por defender sanções contra dirigentes de Pequim e de Hong Kong.

Na quinta-feira, na sequência da publicação de artigos críticos sobre a China, a redação do Apple Daily foi alvo de uma operação policial que envolveu cerca de 500 agentes e culminou com a detenção do chefe de redação e de quatro executivos da empresa. Pequim alega que os artigos violam a polémica Lei da Segurança Nacional do território. Na mesma altura, foram congelados cerca de dois milhões de euros em ativos do jornal.

No dia seguinte à operação policial, a procura pelo Apple Daily disparou em Hong Kong, obrigando o jornal a aumentar a circulação, de 80 mil para 500 mil.

Este sábado, numa primeira audiência, um tribunal ordenou que o chefe de redação e um dos executivos do jornal permanecessem detidos sem caução. A próxima audiência ficou marcada para 13 de agosto.

As outras três pessoas que se encontravam detidas foram libertadas sob caução.

Organizações, como a Amnistia Internacional, afirmam estar em causa "novo ataque à liberdade de imprensa" na antiga colónia britânica.