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Governo dos EUA "muito preocupado" com apelos do Presidente cubano para se combater protestos

Maria Alejandra Cardona

Julie Chung também apelou à "calma" e condenou "qualquer tipo de violência".

O Governo dos Estados Unidos disse, este domingo, que está "muito preocupado" com os apelos feitos pelo Presidente cubano, Miguel Diaz-Canel, para se "combater" os protestos contra o regime na ilha.

"Estamos muito preocupados com os 'apelos para combater' em Cuba", disse numa mensagem na rede social Twitter a Secretária de Estado Adjunta em exercício do Gabinete para os Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA, Julie Chung, que sublinhou o apoio da Administração dos EUA ao direito dos cubanos a manifestarem-se pacificamente.

Chung também apelou à "calma" e condenou "qualquer tipo de violência".

O Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, exortou no domingo os seus apoiantes a saírem às ruas prontos para o "combate", em resposta às manifestações que aconteceram contra o Governo em vários pontos do país.

"A ordem de combate está dada, os revolucionários às ruas", afirmou o governante, citado pela agência de notícias Efe.

Milhares de cubanos manifestaram-se contra o Governo, algo raro, nas ruas de pequenas cidades, como San Antonio de Los Baños, Guira de Melena e Alquízar, na província ocidental de Artemisa, Palma Soriano, em Santiago de Cuba, na ponta oposta da ilha, e em alguns bairros de Havana.

Nas ruas ouvem-se as palavras de ordem "liberdade" ou "não temos medo". São os maiores protestos anti-governo desde 1994.

De acordo com a Efe, centenas de pessoas saíram à rua em Havana em manifestações pacíficas, que foram intercetadas pelas forças de segurança e brigadas de apoiantes do Governo, tendo-se registado violentos confrontos e detenções.

Grupos organizados de apoiantes do Governo também estiveram no local, entoando "Eu sou Fidel" ou "Canel, amigo, o povo está contigo".

Os protestos contaram com o apoio de exilados cubanos, que pediram ao Governo dos Estados Unidos que lidere uma intervenção internacional para evitar que os manifestantes sejam vítimas de "um banho de sangue".

A Assembleia da Resistência Cubana apelou à população a que se mantenha nas ruas e à polícia e às Forças Armadas para que se posicionem ao lado do povo.

Comissão Interamericana dos Direitos Humanos denuncia agressões aos manifestantes

Segundo a Efe, que cita testemunhas no local, houve violência policial nas manifestações de San Antonio de Los Baños e Palma Soriano, que foram transmitidas em direto em várias contas na rede social Facebook.

A Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH) disse já que recebeu informações sobre o uso da força e de agressões em Cuba e apelou ao Governo para respeitar o direito de protesto e concordar com a abertura democrática do país.

Em várias mensagens na rede social Twitter, a CIDH também lamentou as "reações estigmatizantes das altas autoridades contra as pessoas que se manifestam".

Estes foram os maiores protestos anti-Governo de que há registo na ilha desde o chamado "maleconazo", quando em agosto de 1994, em pleno "período especial", centenas de pessoas saíram às ruas de Havana e não se retiraram até à chegada do então líder cubano Fidel Castro.

Desde o início da pandemia da covid-19, em março de 2020, os cubanos enfrentam maior escassez de alimentos, medicamentos e outros produtos básicos, o que gerou um forte mal-estar social.

Estas manifestações aconteceram no dia em que Cuba registou um novo recorde diário de contágios e mortos devido à covid-19, com 6.923 novos casos nas últimas 24 horas, num total de 238.491, e 47 mortos, subindo o total desde o início da pandemia para 1.537.

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