Mundo

Protestos em cuba são os maiores desde 1994

Milhares de pessoas manifestaram-se contra o regime.

Numa rara manifestação pública de desacordo em relação ao regime, milhares de cubanos saíram às ruas em protesto. As manifestações ocorreram um pouco por toda a ilha e também em Miami, nos Estados Unidos, onde vivem milhares de cubanos.

As manifestações que terão apanhado de surpresa o regime cubano, sobretudo pelo facto de terem acontecido também fora da capital, Havana, surgem num momento particularmente difícil para Cuba.

Além da crise pandémica, o país atravessa a mais grave crise económica desde o início dos anos 90, quando o colapso da aliada União Soviética deixou a ilha praticamente à deriva, ainda mais refém do bloqueio económico dos Estados Unidos, sem capacidade de escoar a produção de açúcar, o principal recurso, e com grandes dificuldades em importar bens essenciais, como petróleo.

Os protestos deste domingo são apenas comparáveis com os que aconteceram nessa altura. Há três décadas, o regime liderado por Fidel Castro encontrou no turismo uma das saídas para a crise, mas aquele que é hoje um dos principais recursos económicos de Cuba foi um dos mais atingidos pelos efeitos colaterais da pandemia.

A dificuldade em comprar bens essenciais, os constantes cortes de abastecimento de energia e a escassez de vacinas numa altura em que os serviços de saúde lidam com uma nova vaga de infeções ajudam a explicar os protestos.

Mesmo confrontado diretamente com algumas queixas, o líder cubano encontra outras explicações para as manifestações que diz serem orquestradas por mercenários a soldo dos Estados Unidos. Miguel Diaz-Canel responsabiliza também Washington pela crise económica.

O regime de partido único que governa a ilha desde 1959 tem entre os exilados cubanos que vivem na Flórida, nos Estados Unidos, alguns dos principais opositores.

Em Miami, também houve manifestações, mas os protestos em Cuba preocupam mais o regime cubano, que apelou a contramanifestações.