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Rússia espera um dos verões mais quentes de sempre

Moscovo, Rússia

Alexander Zemlianichenko

No mês de junho já se bateram vários recordes de temperatura no país.

Os serviços meteorológicos russos disseram esta terça-feira que esperam um verão dos mais quentes de sempre no país, devido às alterações climáticas, depois de um mês de junho em que já se bateram vários recordes de temperatura.

"Segundo as nossas primeiras previsões, as temperaturas médias no país vão ser quentes e elevadas durante a segunda metade de julho e no mês de agosto", disse Roman Vilfand, meteorologista da agência Rosguidromet, considerando "bem possível" que este período estival seja o mais quente alguma vez observado na Rússia.

Durante uma conferência de imprensa, Vilfand indicou que a temperatura média em junho tinha sido a segunda mais elevada desde que há registos, a seguir à do mês canicular de junho de 2012.

"A temperatura média na parte europeia da Rússia foi a mais elevada desde o início das observações, há 130 anos", detalhou.

"Ao mesmo tempo, nem todo o país está tocado pelo calor. Há zonas de frescura na Sibéria ocidental", relativizou.

Disse ainda que as alterações climáticas causam uma modificação da circulação atmosférica, devido a contrastes diferentes de temperaturas entre as regiões árticas e as situadas mais a sul.

"Há cada vez mais anticiclones nas regiões do Norte (da Federação Russa), o que reforça os riscos de fogos florestais", indicou.

Numerosos cientistas consideram que a Federação Russa, em particular a Sibéria e o Ártico, está entre as zonas mais expostas ao aquecimento global.

Nos últimos anos, têm sido registados recordes de calor, mas também gigantescos e nada habituais incêndios florestais.

Em junho de 2020, a Federação Russa conheceu além do círculo ártico, em Verkhoiansk, uma temperatura de 38 graus, o nível mais elevado registado desde o início das medidas, no final do século XIX.

O degelo do permafrost - o solo congelado - ameaça também as infraestruturas e arrisca libertar na atmosfera quantidades elevadíssimas de gases com efeito de estufa.