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Cubanos acolheriam intervenção militar dos EUA, diz professor radicado em Portugal

Alexandre Meneghini

Nascido há 42 anos em Cuba, Rodolfo Bendoyro foi um estudante universitário hostil do regime cubano, chegando a ser perseguido, mas reconhece que nunca se sentiu ameaçado como o são os dissidentes que no domingo se manifestaram nas ruas de várias cidades cubanas.

Rodolfo Bendoyro, professor cubano a viver em Portugal, mostra-se chocado com as notícias da crise que recebe dos familiares na sua terra natal e acredita que os cubanos até aceitariam bem uma invasão dos EUA.

"A Revolução já não é a salvaguarda da pátria. Já há pessoas a pedir uma intervenção militar externa. E, se os EUA invadirem Cuba, as pessoas aceitarão bem", disse à Lusa Bendoyro, professor na Universidade Europeia, em Lisboa.

Nascido há 42 anos em Cuba, Rodolfo Bendoyro foi um estudante universitário hostil do regime cubano, chegando a ser perseguido, mas reconhece que nunca se sentiu ameaçado como o são os dissidentes que no domingo se manifestaram nas ruas de várias cidades cubanas.

"Há pessoas a ser mortas. Eles estão a usar balas. E isso nunca tinham feito antes", disse o professor universitário, referindo-se ao que considera ser "um ponto de viragem" na atuação do Governo cubano, que tem lidado com mão de ferro com os manifestantes, apesar de as autoridades cubanas apenas admitirem a morte de uma única pessoa relacionada com os protestos dos últimos dias.

Rodolfo Bendoyro diz que as comunicações com a ilha são difíceis, sendo apenas possível contactar com pessoas que usam VPN (redes privadas virtuais, que permite contornar as restrições impostas pelo Governo à transmissão de dados móveis de Internet), o que tem dificultado a disseminação de informações sobre o que se passa em Cuba.

O professor cubano a viver em Portugal mostra-se chocado com as informações que tem recebido desde a sua terra natal e fala em manifestações de "desespero", por falta de alimentos e de medicamentos, em plena pandemia.

"As pessoas têm medo. Eu admiro a coragem de quem lá vive", disse Bendoyro, acrescentando que "o controlo é total" por parte das autoridades, que perseguem de forma impiedosa as vozes dissidentes.

"O regime está a cometer um erro", conclui Bendoyro, explicando que o Partido Comunista Chinês deveria estar a fazer as reformas que defende, mas evitando hostilizar a população e, ao mesmo tempo, conseguindo evitar a interferência externa, nomeadamente dos Estados Unidos.

"Os opositores que vêm dos Estados Unidos não percebem nada do que se está a passar. Por isso, são olhados de lado", denuncia o professor universitário, embora reconhecendo que esses dissidentes do regime precisam do financiamento dado pelos norte-americanos.

Rodolfo Bendoyro que se inscreveu no CDS-PP atraído pelo carisma do então presidente, Paulo Portas, mas que agora é um militante crítico da atual direção, explicou que gostaria de ver o seu partido a ter uma voz mais dura para com o regime cubano.

"Fico triste por não ver o CDS a tomar posições fortes contra o que se está a passar em Cuba", desabafou o militante centrista.

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