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Índia tentou espiar Dalai Lama, que não tem telemóvel, através dos conselheiros

Ashwini Bhatia

No programa de espionagem Pegasus.

O diário francês Le Monde noticiou esta quinta-feira que o facto de o Dalai Lama não utilizar telemóvel levou a Índia a espiar, através do programa de espionagem Pegasus, cerca de duas dezenas de conselheiros do líder tibetano.

No total cerca de 20 responsáveis tibetanos no exílio, tanto políticos como religiosos, entre eles vários assessores pessoais do líder espiritual do Tibete, podem ter sido espiados, refere o periódico francês, um dos membros do consórcio internacional de órgãos de comunicação social que divulgou o escândalo de espionagem do Pegsasus.

Os primeiros pedidos das autoridades indianas surgiram no final de 2017, por ocasião de um encontro em Nova Deli entre o Dalai Lama e o ex-Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que regressava de uma visita à China.

Outros pedidos para a inclusão de números de telemóvel vieram depois, em meados de 2018, como o de Lobsang Sangay, presidente do Governo tibetano no exílio.

O Le Monde contextualiza os pedidos para a inclusão dos números de telemóvel no Pegasus com as tensões que se registam de tempos a tempos entre a Índia e a China, duas potências nucleares que mantêm disputas territoriais nas fronteiras dos Himalaias, e pelo receio de Nova Deli de que o Dalai Lama, 86 anos, possa assinar algum acordo com Pequim.

O diário francês também, porém, que, sem poder analisar os terminais telefónicos, não é possível verificar com segurança se foram realmente espiados pelo Pegasus, programa da empresa de tecnologia israelita NSO Group.