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Biden anuncia "nova fase" com o fim da missão de combate dos EUA no Iraque

Ken Cedeno

Joe Biden explicou que o novo "papel" dos militares norte-americanos seria "treinar" e "ajudar" as forças iraquianas contra o grupo jihadista Estado Islâmico.

O Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Joe Biden, anunciou esta segunda-feira, junto ao primeiro-ministro iraquiano, Mustafa al-Kadhimi, uma "nova fase" da presença militar norte-americana no Iraque, com o fim da "missão de combate" até ao fim do ano.

"Não estaremos em missão de combate no fim do ano", no Iraque, mas "a nossa cooperação contra o terrorismo vai continuar na nova fase que estamos a discutir", realçou Joe Biden, na Sala Oval, na Casa Branca, em Washington, onde esteve o chefe do governo iraquiano.

Joe Biden explicou que o novo "papel" dos militares norte-americanos seria "treinar" e "ajudar" as forças iraquianas contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), sem avançar com um cronograma ou elementos sobre o número de efetivos.

"A nossa relação está mais sólida do que nunca", adiantou Mustafa al-Kadhimi.

Para al-Kadhimi, a possibilidade de anunciar à população iraquiana uma data para o fim da presença de combate dos EUA no país pode ser um trunfo político para as eleições legislativas que se realizam em 10 de outubro.

Washington e Bagdade acordaram transição do perfil da missão militar norte-americana

Washington e Bagdade acordaram, em abril, que a transição do perfil da missão militar norte-americana para um papel de treino e consultadoria implicaria o fim do papel de combate das forças dos Estados Unidos no terreno, mas não ficou definido um cronograma para essa transição.

O primeiro-ministro iraquiano, sob pressão de poderosas fações pró-Irão, tem negociado com Biden a retirada dos cerca de 2.500 soldados norte-americanos que foram destacados para ajudar as forças iraquianas na luta contra o EI, mas nunca conseguiu estabilizar um cronograma.

Em junho, o Rei da Jordânia, Abdullah II, e o Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, visitaram Bagdade para reuniões conjuntas - tendo sido a primeira vez que um presidente egípcio fez uma visita oficial desde os anos 1990, quando as relações diplomáticas foram rompidas depois de Saddam Hussein ter invadido o Koweit.

Em março, o Papa Francisco fez uma visita histórica ao Iraque, orando entre as igrejas em ruínas de Mosul, um antigo reduto do EI, e reunindo com o influente clérigo xiita Ali al-Sistani na cidade sagrada de Najaf.

O anúncio de encerrar a missão de combate dos Estados Unidos no Iraque ocorre quando o exército norte-americano está em fase final de retirada do Afeganistão, quase 20 anos depois de o ex-Presidente George W. Bush ter lançado o conflito em resposta aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

A missão dos EUA de treinar e aconselhar as forças iraquianas tem as suas origens mais recentes na decisão do ex-Presidente Barack Obama, em 2014, de enviar tropas de volta ao Iraque.

Contudo, a distinção entre tropas de combate e soldados envolvidos no treino e aconselhamento pode ser confusa, já que as tropas dos EUA continuam sob ameaça de ataques.

No domingo, as autoridades iraquianas informaram que os responsáveis do EI pelo ataque a Bagdade na passada semana estavam a preparar novas ações terroristas para a altura da celebração do festival muçulmano Eid-al-Adha.

Um ataque suicida na segunda-feira da semana passada, reivindicado pela organização 'jihadista', matou 30 pessoas num mercado popular em Sadr City, um enorme subúrbio xiita da capital, onde muitas famílias se aglomeraram na véspera do festival Eid-al-Adha, a Festa do Sacrifício, o mais importante dos feriados muçulmanos.

Durante anos, funcionários do Pentágono tentaram conciliar o que consideram ser uma presença militar necessária para apoiar a luta do Governo iraquiano contra o EI com a sensibilidade política interna do Iraque à presença de tropas estrangeiras, mas sempre sob enorme suspeição política.

Em abril, numa declaração conjunta após uma reunião entre representantes dos EUA e do Iraque, em Washington, o Governo norte-americano confirmou que "a missão das forças dos EUA e da coligação" fora transferida para "tarefas de treino e consultoria", permitindo assim a redistribuição de quaisquer forças de combate remanescentes no Iraque, num momento a ser determinado posteriormente.

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