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Protestos em França contra a obrigatoriedade de vacina e do certificado digital

GEOFFROY VAN DER HASSELT

Vários manifestantes envolveram-se em confrontos com as autoridades.

Milhares de franceses estão este sábado em protesto, em Paris, contra a obrigatoriedade da vacina covid-19 e o passaporte sanitário que permite o acesso a diversos espaços. Este é o terceiro sábado consecutivo marcado por manifestações.

Há um forte dispositivo policial nas ruas e vários manifestantes já se envolveram em confrontos com as autoridades.

Cerca de 3.000 membros das forças de segurança foram posicionados ao redor da capital francesa para enfrentar o terceiro fim de semana de protestos contra o passe sanitário, sobretudo ao longo dos Campos Elísios, para proteger a avenida de uma invasão de manifestantes esporadicamente violentos.

Só em Paris decorrem quatro manifestações. Também noutras cidades francesas estão a acontecer várias manifestações.

O projeto lei que exige a apresentação de certificado de vacinação foi aprovado pelo Governo francês e entra em vigor a 9 de agosto. Só com esse documento se poderá entrar em vários estabelecimentos – como restaurantes, transportes públicos e outros serviços. Embora as sondagens mostrem que a maioria dos franceses apoia a decisão, a oposição adotada por alguns franceses tem sido aguerrida.

Tensão aumenta entre manifestantes e forças de autoridade

A tensão aumentou em frente à famosa casa de diversão noturna Moulin Rouge, no norte de Paris, naquela que pareceu ser a maior das manifestação da capital, com filas de polícias a enfrentarem os manifestantes e com confrontos esporádicos.

Enquanto os manifestantes se dirigiam para leste, a polícia disparou gás lacrimogéneo contra a multidão, criando alguma confusão e provocando alguns feridos.

Menos carregada de tensão, uma outra manifestação decorreu noutra zona de Paris, tendo sido dirigida pela líder da extrema-direita, Marine Le Pen, que juntou centenas de pessoas em direção ao Ministério da Saúde.

Manifestantes admitem boicotar estabelecimentos que exijam certificado digital

Os manifestantes ameaçam deixar de ir a restaurantes, bares ou cinemas caso o certificado se torne efetivamente obrigatório no país.

"Eu vou boicotar todos os sítios onde me pedirem o passe sanitário. Os comerciantes vão aperceber-se do nosso boicote e também se vão revoltar contra estas medidas", afirmou Nicole, professora francesa, à agência Lusa.

Tal como Nicole, vários manifestantes entrevistados pela Lusa garantem que vão deixar de frequentar restaurantes e cinemas caso o Conselho Constitucional dê o aval à medida do Governo já aprovada por deputados e senadores que visa impor a obrigatoriedade do passe sanitário em França para grande parte dos espaços públicos.

"Temos todos de ser solidários, e sei que vai ser difícil para os restaurantes e para os cinemas, mas vacinados ou não, não devemos frequentar esses sítios", defendeu Laura, uma artista parisiense que tinha um cartaz a dizer "são estas políticas que nos estão a matar".

Nos museus, cinemas, bibliotecas, piscinas ou ginásios o certificado já é obrigatório, só sendo acessíveis a quem tiver a vacinação completa há mais de sete dias, a quem apresenta um teste PCR ou antigénico negativo com menos de 48 horas ou um teste positivo com mais de duas semanas e menos de seis meses - considerando as autoridades francesas que neste caso a pessoa tem imunidade e risco limitado de contrair covid-19 e de contaminar outros.

Philippe, farmacêutico reformado, é contra a vacinação por considerar que não há estudos suficientes sobre a vacina, alegando que os homens se tornaram cobaias devido à covid-19.

"Não há os estudos que normalmente acompanham as vacinas. Há um protocolo a seguir e saltámos várias etapas. Nós somos cobaias e isso vai contra tudo que eu aprendi nos meus estudos de Farmácia", defendeu Philippe, declarando que se ainda estivesse no ativo, não aconselharia ninguém a vacinar-se.

A Lusa acompanhou a manifestação organizada pelo partido de extrema-direita "Os Patriotas", liderado por Florian Philippot, antigo número dois de Marine Le Pen, entre Montparnasse e o Ministério da Saúde.

Laura diz não pertencer a nenhum partido e que os franceses apenas querem manifestar-se contra estas medidas.

“Eu não sou de extrema-direita, nem as pessoas que conheço que estão aqui. As pessoas vêm de diferentes setores políticos ou nem se interessam pela política. Este tipo de iniciativas não mudam as nossas preferências políticas, eles até podem tentar aproveitar-se desta causa para ganhar notoriedade, mas não somos burros", sublinhou Laura.

A poucos meses das eleições presidenciais, que se realizam em abril, este é um protesto também contra o Presidente da República, com cânticos como "Macron na prisão" e cartazes onde a principal figura é o chefe de Estado.

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