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Primeira-dama do Brasil investigada por suposto favorecimento a amigos em empréstimos

Eraldo Peres

Documentos obtidos pela revista Crusoé indicam que Michelle Bolsonaro agiu pessoalmente para favorecer amigos e empresários próximos do Presidente brasileiro.

A Procuradoria da República do Distrito Federal brasileiro decidiu investigar uma suposta atuação da primeira-dama do país, Michelle Bolsonaro, para favorecer empresas de amigos com empréstimos da Caixa Económica Federal, noticiou na sexta-feira a revista Crusoé.

Documentos obtidos pela Crusoé indicam que Michelle Bolsonaro, mulher de Jair Bolsonaro, agiu pessoalmente para favorecer amigos e empresários próximos do Presidente brasileiro no auge da pandemia.

Segundo a revista, empréstimos foram autorizados depois de a primeira-dama ter falado com o presidente do banco Caixa Económica Federal, Pedro Guimarães.

"A pedido da sra. Michelle Bolsonaro e conforme conversa telefónica entre ela e o presidente Pedro, encaminhamos os documentos dos microempresários de Brasília que têm buscado crédito a juros baixos", diz um dos e-mails obtidos pela revista, datado de maio passado.

A investigação em relação à atuação de Michelle será realizada dentro de um inquérito que investiga irregularidades na Caixa, como uma suposta pressão política sobre a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), segundo a rede Globo.

Forte repercussão negativa por parte da oposição ao Presidente do Brasil

A revelação gerou uma forte repercussão negativa por parte da oposição ao Presidente do Brasil que exigiu uma investigação ao caso.

"Atenção! Eu e os demais líderes dos partidos da minoria na Câmara dos Deputados acabamos de acionar o Ministério Público Federal (MPF) para que Michelle Bolsonaro seja investigada por tráfico de influência. A revista Crusoé denunciou que ela interferiu na Caixa para que empresários 'bolsonaristas' recebessem empréstimos", escreveu na rede social Twitter o deputado Marcelo Freixo.

"Diversos micro/pequenos empresários tiveram dificuldades em conseguir crédito na pandemia, precisaram demitir funcionários ou fechar as portas. Mas para um seleto grupo de 'bolsonaristas' foi moleza, era só acionar Michelle Bolsonaro e a juros baixos. Isso é tráfico de influência!", acusou a presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann.

Gleisi revelou ainda que entregou na Câmara dos Deputados um pedido de explicações ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao presidente de Caixa Económica Federal sobre o alegado crédito facilitado para amigos de Michelle Bolsonaro.

Também o partido de direita Novo se manifestou nas redes sociais: "Absurdo! Denúncia da imprensa de que Michelle Bolsonaro teria favorecido empresas amigas a conseguirem empréstimo na Caixa no auge da pandemia é muito grave. A bancada do Novo vai acionar o Ministério da Economia para cobrar esclarecimentos e a devida investigação sobre o caso".

Para a ex-deputada federal e ex-candidata à vice-presidência do Brasil Manuela D'Ávila "mamata [ladroagem] é a única instituição que segue funcionando" no atual Governo.