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Sarkozy diz após ser condenado que "pessoas não se deixam enganar por nada"

Ludovic Marin

Esta foi a primeira declaração pública desde a condenação.

O ex-Presidente francês Nicolás Sarkozy disse este sábado durante um evento que "as pessoas não se deixam enganar por nada", dois dias após ser condenado a um ano de prisão por financiamento ilegal da sua campanha presidencial em 2012.

O ex-chefe de Estado francês, que anunciou que vai apelar da decisão do tribunal, esteve presente num evento numa livraria do 16.º bairro de Paris, onde cerca de 200 pessoas o aguardavam, dizendo para "aguentar", ter "coragem" e que estavam ao seu lado.

"É muito comovente e ao mesmo tempo muito reconfortante ver o estado de espírito do país, sobre o facto de que as pessoas não se deixam enganar por nada (...). Elas entenderam", declarou Sarkozy diante das televisões e fotógrafos.

Esta foi a sua primeira declaração pública desde sua condenação. Numa mensagem nas redes sociais, na quinta-feira, Sarkozy denunciou "a injustiça" cometida e prometeu ir "até ao fim" para "continuar a luta tão necessária pela verdade e pela justiça".

Sarkozy demonstrou-se feliz pela "amizade" e "apreço a título pessoal" manifestado, na quinta-feira, pelo atual primeiro-ministro francês, Jean Castex.

"Deixa-me muito feliz, não me surpreende nele, sou muito sensível a isso, tenho recebido milhares e milhares" de mensagens de apoio, declarou.

Questionado por um jornalista se havia recebido algum apoio do Presidente francês, Emmanuel Macron, Sarkozy disse: "Pergunte-lhe a ele, não cabe a mim dizer".

Sarkozy ainda poderá recorrer da sentença

Nicolas Sarkozy foi condenado, na quinta-feira, a um ano de prisão - que poderá cumprir em prisão domiciliária com pulseira eletrónica -, sendo que ainda poderá recorrer da sentença.

Sarkozy foi condenado por ter gastado quase o dobro do valor máximo legal (22,5 milhões de euros) na candidatura à reeleição em 2012, que perdeu para o socialista François Hollande.

A nova condenação surge sete meses depois de Sarkozy ter sido condenado, em primeira instância, a três anos de prisão, um dos quais efetivo em prisão domiciliária, por corrupção e tráfico de influências, estando, no entanto, em liberdade até decisão do recurso interposto.