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Rara aparição perante imprensa estrangeira do líder da junta militar de Myanmar

Arquivo.

Desde o golpe de Estado de 1 de fevereiro no país.

O líder da junta militar no poder em Myanmar inaugurou esta quarta-feira uma nova guarda-costeira, composta por quatro navios armados, ocasião para uma rara aparição perante a imprensa estrangeira desde o golpe de Estado de 1 de fevereiro no país.

Min Aung Hlaing, que dirige o Governo formado pelos militares, deslocou-se para esta inauguração a um cais no sul de Rangun, a capital económica de Myanmar (antiga Birmânia).

Entre os quatro navios afetados a esta força naval - anteriormente explorados pela Marinha birmanesa -, figura um "barco de ataque com mísseis" de 47 metros de comprimento, declarou um oficial da Marinha que solicitou o anonimato.

A sua missão consistirá, além de zelar pela "aplicação da lei", em efetuar patrulhas e "operações de busca e salvamento", acrescentou, sem fornecer mais pormenores, sublinhando apenas que esta corporação de guarda-costeira ficará, por enquanto, sob "direção da Marinha".

Nos últimos anos, o exército birmanês gastou dezenas de milhões de dólares na compra de equipamento avançado, com a cooperação da Rússia e da China, como parte de uma estratégia para se tornar uma força de primeira linha.

Mais de 1.100 civis morreram desde o golpe de Estado

Myanmar está em crise desde que os militares depuseram o Governo de Aung San Suu Kyi, a laureada com o prémio Nobel da Paz 1991, desencadeando ações de protesto maciças e uma sangrenta repressão.

Ataques e operações de retaliação esporádicos prosseguem no país por essa razão. Responsáveis do exército anunciaram que quatro agentes dos serviços secretos foram feridos na terça-feira, quando uma bomba explodiu na capital, Naypyidaw.

Mais de 1.100 civis foram mortos e mais de 8.000 foram detidos desde o golpe de Estado, segundo um grupo especializado neste tipo de contagens.