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Polícia britânica avalia indícios de espionagem pelo emir do Dubai

Christopher Pike

Há "várias alegações de crimes", incluindo invasões de dispositivos eletrónicos.

A polícia britânica prometeu examinar "qualquer nova prova" sobre o uso de um programa informático de espionagem pelo emir governante do Dubai nos telemóveis da sua ex-mulher e do respetivo marido.

Num comunicado, a polícia de Londres disse que detetives especializados lançaram uma investigação no ano passado após "várias alegações de crimes", incluindo invasões de dispositivos eletrónicos.

Os agentes passaram cinco meses a explorar "todas as pistas na medida do possível", mas a investigação foi encerrada em fevereiro de 2021.

"É claro que examinaremos qualquer nova informação ou material relacionado com essas alegações", assegurou a polícia.

Instalação de programa de espionagem nos telemóveis da ex-mulher

O Tribunal Superior de Londres [High Court] concluiu na quarta-feira que o emir governante do Dubai autorizou a instalação de um programa de espionagem nos telemóveis da ex-mulher e dos advogados que a defenderam durante a batalha judicial pela custódia dos filhos.

O coletivo de juízes considerou que Mohammed bin Rashid Al Maktoum, de 72 anos, deu "autorização expressa ou implícita" para a utilização de um 'software' chamado Pegasus no telemóvel da princesa Haya Bint Al Hussein (sexta mulher), de 47 anos.

O também primeiro-ministro e vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos (EAU), que já havia sido considerado culpado de uma "campanha de medo e intimidação" contra a ex-mulher, também autorizou a instalação do programa nos telemóveis dos advogados, da assistente social e dos membros da equipa de segurança da princesa.

Durante o processo judicial, foi revelado que a defesa de Haya Bint Al Hussein descobriu em agosto de 2020 a prática de espionagem com o 'software' que a empresa NSO Group distribui aos governos.

Sequestro e regresso forçado ao Dubai de duas filhas

No ano passado, outro tribunal britânico determinou que o emir "ordenou e orquestrou" o sequestro e o regresso forçado ao Dubai de duas das suas filhas, entre 2000 e 2018.

Numa nota emitida após ouvir a sentença do Supremo Tribunal de Londres, Mohammed bin Rashid Al Maktoum disse não reconhecer as conclusões do coletivo de juízes.

"Como chefe de governo envolvido num processo familiar privado, não era apropriado que prestasse testemunho sobre essas questões delicadas, seja pessoalmente ou através dos meus conselheiros, num tribunal estrangeiro", adiantou o emir.

Mohammed bin Rashid Al Maktoum acrescentou:

"Nem o emirado do Dubai nem os Emirados Árabes Unidos fazem parte deste processo, nem participaram nas audiências. As conclusões baseiam-se inevitavelmente [...] num quadro incompleto".