Um terço da população mundial nunca utilizou a Internet. Os países mais pobres são os mais afetados e o mundo rural é particularmente deixado para trás, enquanto aumenta o número de utilizadores a nível global. Os dados constam de um relatório da União Internacional das Telecomunicações.
2,9 mil milhões de pessoas, 37% da população mundial: este é o número dos que nunca usaram a Internet.
Os dados são da União Internacional das Telecomunicações (UIT), o organismo das Nações Unidas especializado no setor das tecnologias de informação e comunicação, e apontam que: o ritmo da globalização e da aproximação das pessoas através da Web deixa muitos de lado, criando um cenário de profunda desigualdade social.
Dos 2,9 mil milhões que nunca utilizaram ferramentas comuns como o Google ou a Wikipédia, 96% vive em países pobres e em desenvolvimento.
Já no grupo dos utilizadores, centenas de milhões confessam recorrer à Internet apenas ocasionalmente, através de meios informáticos partilhados, como computadores ou telemóveis em espaços públicos, com velocidades de ligação aquém do verificado nos países desenvolvidos.
As consequências da desigualdade no acesso à Web são diversas: pobreza, iliteracia e dificuldades de uso e aprendizagem de meios digitais.
Eis uma lista dos factos mais importantes reportados pelo relatório da União Internacional das Telecomunicações (UIT).
Desigualdade de género: causa e consequência da diferenciação
A desigualdade de género é verificada na disponibilidade de acesso à Internet:
- Globalmente, 62% dos homens acede à Web, quando 57% das mulheres o faz;
- Nos países desenvolvidos praticamente não se verifica esta diferença (89% dos homens e 88% das mulheres "estão online"), nos países mais pobres e em desenvolvimento, vive-se o contrário: 31% dos homens acedem à Internet, enquanto apenas 19% das mulheres o consegue fazer;
- Esta diferença é mais acentuada em duas regiões do globo: em África, com 35% nos homens e apenas 24% nas mulheres; e nos países árabes, com 68% nos homens e 56% nas mulheres.
Internet tarda em chegar ao mundo rural
Também o binómio cidade-campo, como descreveria Cesário Verde, se reflete nesta realidade, com uma dificuldade maior nos países com menor nível de urbanização em conectarem-se:
- Globalmente, e enquanto 76% da população urbana acede à Internet, apenas 39% da população rural o faz;
- A diferença é mais acentuada nos países subdesenvolvidos (47% em meios urbanos contra 13% em meios rurais) do que nos países desenvolvidos (89% em meios urbanos contra 85% em meios rurais).
E não está isenta de culpas
Refira-se, também, que o próprio universo online pode, por vezes, não se encontrar adaptado às populações dos países mais desfavorecidos.
A falta de capacidades de utilização dos meios digitais é agravada pela falta de conteúdo online nos idiomas locais destes países.
Muitas páginas também exigem níveis de alfabetização e de conhecimento numérico e matemático que muitos não possuem.
Os objetivos da UIT
A União Internacional das Telecomunicações está focada em combater esta situação de desigualdade.
"Ainda há muito a fazer para conectar todas as pessoas à Internet", diz Houlin Zhao, secretário-geral da UIT.
Zhao define ainda que o objetivo da organização que lidera é "não deixar ninguém para trás", garantindo um acesso universal ao mundo online.
A UIT parece caminhar em direção a esta meta: desde 2019, nos países em desenvolvimento, o acesso à Internet aumentou em 13%.
Contudo, os números sobem
De 2019 para 2021, aumentou exponencialmente o número de utilizadores online: 17%, ou seja, mais 782 milhões de pessoas.
Se há dois anos, 4,1 mil milhões de cidadãos usaram a Internet, este número chega agora aos 4,9 mil milhões de usuários.
O aumento resulta de medidas levadas a cabo durante o pico do período pandémico, como o fecho de escolas e os confinamentos, e a consequente necessidade de aceder a informação noticiosa, serviços públicos ou comércio online.
