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Vishal Garg: o CEO que despediu 900 trabalhadores por Zoom

(Arquivo)
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Andrew Lichtenstein

"Se está nesta chamada, faz parte do azarado grupo que vai ser despedido", começa o norte-americano por dizer na videoconferência.

O CEO de uma empresa norte-americana está a ser criticado depois de demitir cerca de 900 funcionários numa videochamada pela plataforma Zoom.

"Se está nesta chamada, faz parte do azarado grupo que vai ser despedido", diz Vishal Garg, diretor-executivo da Better.com, numa videoconferência, posteriormente divulgada nas redes sociais.

As mesmas redes sociais reagiram em força, qualificando a atitude do CEO como "fria", "dura" e "horrível", em especial por ser perto da época de Natal.

"Da última vez que fiz [isto], chorei", disse Garg à equipa durante a chamada, acrescentando que "gostaria que as notícias fossem diferentes, que estivéssemos a prosperar".

Garg disse ainda que o desempenho e a produtividade da equipa e as mudanças no mercado são a razão da demissão, correspondente a 15% de toda a força de trabalho da Better.com.

Contudo, o CEO não mencionou aos trabalhadores a injeção financeira, avaliada em 750 milhões de dólares (667 milhões de euros), que a Better.com recebeu da Softbank, uma empresa japonesa e a sua principal investidora, na semana passada.

O diretor financeiro da Better.com, Kevin Ryan, diz à BBC que "levar a cabo demissões é angustiante, especialmente nesta época do ano".

Acrescenta, contudo, que ter "um balanço patrimonial forte e uma força de trabalho reduzida e concentrada" é necessário para enfrentar o "mercado imobiliário em evolução radical".

Leia abaixo a tradução do discurso de Vishal Garg para a equipa:

"Olá a todos, obrigado por participarem. Não venho até vós com boas notícias. O mercado mudou, como sabem, e temos que seguir em frente para sobreviver e para que possamos continuar a prosperar e a cumprir na nossa missão. Esta não é uma notícia que vão querer ouvir, mas, no final de contas, foi minha a decisão e eu queria que ouvissem de mim. Foi uma decisão muito, muito desafiadora de se tomar. Esta é a segunda vez na minha carreira que estou a fazer isto e não o quero fazer. A última vez que fiz, chorei. Desta vez, espero ser mais forte. Vamos demitir cerca de 15% da empresa por vários motivos: o mercado, a eficiência, o desempenho e a produtividade. Se está nesta chamada, faz parte do azarado grupo que vai ser despedido. O seu contrato foi alvo de rescisão, com vigência imediata."

A Better.com, que visa usar a tecnologia para tornar o processo de compra de casa "mais rápido e eficiente", confirmou, no início deste ano, que planeia colocar a empresa no mercado de ações.

Após a demissão em bloco, a revista Fortune refere que Garg era o autor de uma publicação anónima num blog, em que acusava alguns dos funcionários demitidos de "roubar" colegas e clientes por não serem produtivos e trabalharem apenas duas horas por dia, ao mesmo tempo que reivindicavam trabalhar oito ou mais.

O estilo de gestão de Garg já foi alvo de críticas, depois de um e-mail enviado à equipa e que foi obtido pela Forbes no ano passado, tendo escrito:

"São MUITO LENTOS! São um bando de GOLFINHOS BURROS! PAREM, PAREM, PAREM AGORA MESMO! ESTÃO-ME A EMBARAÇAR!"

Também em 2019, o diretor-executivo terá dito a um antigo sócio que o iria “prender a uma parede e queimá-lo vivo”, tendo pedido desculpa posteriormente.

O Business Insider relata que, depois de demitir 900 funcionários, Garg realizou uma reunião com os trabalhadores restantes.

"Reconhecemos que contratámos em excesso e contratámos as pessoas erradas e, ao fazer isso, fracassámos", terá dito na assembleia.

Depois de tudo isto, o CEO afirma: "Falhei".

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