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Justiça alemã vai julgar cientista russo acusado de espiar programa espacial europeu

Justiça alemã vai julgar cientista russo acusado de espiar programa espacial europeu

Suspeito trabalhava numa universidade da Baviera e foi detido em junho passado.

A justiça alemã anunciou hoje que vai julgar um cientista russo suspeito de ter sido pago por Moscovo para espiar o programa espacial europeu Ariane, caso que pode intensificar as tensões entre o Ocidente e a Rússia.

O julgamento terá início daqui a duas semanas, no dia 17, e contará com 12 audiências já agendadas, disse o Tribunal Regional de Munique, num comunicado hoje divulgado.

Ilnur N., um cientista russo que trabalhava numa universidade da Baviera, foi detido em junho passado por suspeita de atos de espionagem e de ligações a Moscovo.

O Ministério Público de Karlsruhe indiciou-o formalmente em dezembro passado, o último passo antes da abertura oficial do processo de julgamento.

A justiça alemã acusa-o de ter recolhido informações relacionadas, entre outros aspetos, com “as diferentes fases de desenvolvimento dos lançadores Ariane”, dados esses que terão sido entregues alegadamente à Rússia.

O programa Ariane explora uma série de veículos de lançamento civis europeus, em especial da Agência Espacial Europeia, mas desenvolvidos pela Airbus Defence and Space.

Cientista terá recebido de 2.500 euros da Rússia

A justiça alemã acusa Ilnur N. de ter sido recrutado pelos serviços secretos russos, “o mais tardar, no outono de 2019”, sendo que a partir de novembro desse mesmo ano, o cientista terá tido vários contactos com um responsável dos serviços de informação russos, a quem terá transmitido “informações sobre projetos em investigação”.

Em troca, e segundo as autoridades judiciais alemãs, o cientista terá recebido um total de 2.500 euros.

O Ministério Público alemão não forneceu mais detalhes sobre a identidade do homem ou a universidade alemã para a qual ele trabalhava, mas em junho passado, o jornal Bild avançou que o cientista se chamava Ilnur Nagaev, enquanto a Universidade de Augsburg, na Baviera, confirmou que o suspeito trabalhava na instituição e que o seu gabinete tinha sido alvo de buscas.

O anúncio deste julgamento é feito numa altura em que as relações entre o Ocidente e a Rússia estão num ponto muito tenso, com a Europa e os Estados Unidos a suspeitarem que Moscovo poderá estar a preparar uma invasão da vizinha Ucrânia e que tal decisão possa ser tomada em acordo com a China.

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