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A carta de Putin a Xi Jinping: “Rússia e China: uma parceria estratégica orientada para o futuro”

A carta de Putin a Xi Jinping: “Rússia e China: uma parceria estratégica orientada para o futuro”

Putin chega a Pequim para abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno.

O Presidente russo, Vladimir Putin, chegou hoje a Pequim para a abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, para conversas com o seu homólogo chinês Xi Jinping. A visita do líder russo surge no meio de um crescente apoio chinês a Moscovo na sua disputa com a Ucrânia.

A presença de Putin torna-o o convidado de maior destaque no evento após a decisão dos EUA, Grã-Bretanha e outros de não enviar funcionários em protesto contra as violações dos direitos humanos da China e o tratamento dado a Uyghurs e a outras minorias muçulmanas.

A chegada de Putin de Moscovo no início da tarde de hoje à China foi confirmada pela agência noticiosa estatal russa RIA.

As conversações marcam a sua primeira reunião presencial bilateral desde 2019 e chegam numa altura em que a China e a Rússia alinham cada vez mais as suas políticas externas de forma bilateral e em organismos mundiais como as Nações Unidas, em oposição ao bloco liderado pelos Estados Unidos.

Moscovo e Pequim desempenham um “importante papel estabilizador” nos assuntos globais

Espera-se que as conversações entre os dois se concentrem na coordenação das políticas externas dos seus países, tendo Putin escrito num artigo publicado quinta-feira pela agência noticiosa chinesa Xinhua que Moscovo e Pequim desempenham um “importante papel estabilizador” nos assuntos globais e ajudam a tornar os assuntos internacionais “mais equitativos e inclusivos”.

O Presidente russo criticou “as tentativas de alguns países de politizar o desporto em benefício das suas ambições”, uma referência aparente a um boicote diplomático liderado pelos EUA, que não afeta a participação dos atletas nos Jogos.

“Visão comum” sobre segurança global

Putin é o principal líder estrangeiro a comparecer na abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022, ilustrando a aproximação entre as duas potências.

Xi Jinping não se reúne presencialmente com um líder estrangeiro há quase dois anos devido à pandemia da covid-19.

A deslocação de Putin à China acontece numa altura em que as tensões estão no seu ponto mais exacerbado com os ocidentais, que o acusam de preparar um ataque militar contra a Ucrânia.

A Rússia, que desmente qualquer projeto de invasão, exige garantias de segurança, em particular a promessa de que a Ucrânia nunca seja integrada na NATO e que a Aliança retire as suas forças para as posições de 1997.

“A China apoia as exigências russas sobre garantias de segurança”, assegurou um conselheiro diplomático do Presidente russo, Iuri Ochakov, ao considerar que “Moscovo e Pequim possuem o mesmo entendimento da necessidade em garantir uma ordem mundial mais justa”.

A assinatura de diversos acordos durante esta visita de Putin à China, incluindo no domínio estratégico do gás, está igualmente prevista, segundo a mesma fonte.

O Presidente russo é acompanhado nesta visita pelo ministro da Energia, Nikolai Chulguinov, pelo chefe do gigante petrolífero Rosneft, e ainda pelo chefe da diplomacia, Serguei Lavrov.

A China, com posições próximas da Rússia no atual contexto, apelou no final de janeiro para que as “razoáveis preocupações” de Moscovo relacionadas com a sua segurança “sejam levadas a sério”, e encontrada uma “solução”.

Ao longo dos últimos anos, os dois líderes já se reuniram quase 30 vezes e tornaram-se “grandes amigos”, segundo relatou o próprio Xi Jinping.

Frequentemente, China e Rússia realizam em conjunto exercícios militares, incluindo no Báltico e mar da Arábia, e programas de exploração espacial. A Rússia partilhou também com a China alguma da sua tecnologia militar mais avançada.

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