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Violência sexual contra crianças aumenta em conflitos armados, alerta ONU

FILE – In this July 27, 2018, file photo, Kahlan, a 12-year-old former child soldier with Yemen’s Houthi rebels, demonstrates how to use a weapon at a camp for displaced persons where he took shelter with his family in Marib, Yemen. President Joe Biden’s announcement that the U.S. will end its support of a Saudi-led coalition’s years-long war against Yemen’s Houthi rebels likely will increase pressure on the kingdom to end its campaign there, though reaching an enduring peace for the Arab world’s poorest country still remains in question. (AP Photo/Nariman El-Mofty, File)
FILE – In this July 27, 2018, file photo, Kahlan, a 12-year-old former child soldier with Yemen’s Houthi rebels, demonstrates how to use a weapon at a camp for displaced persons where he took shelter with his family in Marib, Yemen. President Joe Biden’s announcement that the U.S. will end its support of a Saudi-led coalition’s years-long war against Yemen’s Houthi rebels likely will increase pressure on the kingdom to end its campaign there, though reaching an enduring peace for the Arab world’s poorest country still remains in question. (AP Photo/Nariman El-Mofty, File)
Criança-soldado dos rebeldes huthis do Iémen (AP Photo/Nariman El-Mofty, File)
O relatório anual identifica num apêndice, intitulado “Lista da Vergonha”, os responsáveis pelas violações identificadas.

A violência contra crianças em países em conflito – recrutamento de crianças-soldados, assassínios, mutilações, violações, sequestros – prosseguiu num nível alto em 2021, ano marcado por um aumento da violência sexual, segundo um relatório da ONU hoje divulgado.

“Este ano, mais uma vez, duas violações (dos direitos da criança) aumentaram acentuadamente”, nomeadamente “sequestros e violações e outras formas de violações sexual (que) aumentaram tragicamente 20%”, indicou a ONU em comunicado.

O relatório anual assinado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, analisa vários países em conflito e identifica num apêndice, intitulado “Lista da Vergonha”, os responsáveis pelas violações identificadas, autoridades estatais e não estatais, bem como grupos armados.

Em conjunto com a Etiópia e Moçambique, a Ucrânia foi adicionada ao relatório como um país de crescente preocupação devido à guerra.

No ano passado, as Nações Unidas identificaram 23.982 violações graves dos direitos das crianças, a maioria contra meninos, incluindo 22.645 cometidas em 2021 e 1.337 anteriormente.

Embora o progresso, como a libertação de crianças presas ou recrutadas, tenha sido alcançado nalguns países como Mali, Nigéria e Filipinas, as violações mais graves ocorreram no Afeganistão, na República Democrática do Congo, em Israel e nos territórios palestinianos, Somália, Síria e Iémen, de acordo com o relatório.

Críticas ao relatório

As organizações não governamentais (ONG) reagiram de forma negativa ao relatório de António Guterres.

“Não só o secretário-geral não incluiu os responsáveis pelos conflitos armados na Ucrânia, Etiópia e Moçambique na sua ‘Lista da Vergonha’, como o seu relatório não fornece informações significativas sobre as violações hediondas a que as crianças foram submetidas”, lamentou o funcionário da ONG Human Rights Watch Jo Becker.

“A omissão das forças de Israel, que são acusadas de assassinar 78 e mutilar 982 crianças palestinianas em 2021, da ‘Lista da Vergonha’ é outra oportunidade perdida de responsabilizá-las, pois “outras forças ou grupos armados foram listados por muito menos violações”, acrescentou.

Num comunicado, outra ONG, a Watchlist on Children and Armed Conflict, também deplorou o desejo de minimizar a responsabilidade de Israel e lamentou um “desrespeito flagrante” pelas vidas das crianças na Etiópia, Moçambique e Ucrânia, bem como noutros países devastados pela guerra.

Por sua vez, numa conferência de imprensa, a representante especial de António Guterres para Crianças e Conflitos Armados, Virginia Gamba, rejeitou as críticas ligadas a Israel, dizendo que o país havia sido avisado de que seria colocado na “Lista da Vergonha” em 2022, se não apresentar melhorias.

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