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Aumento de custo de vida deverá prejudicar mais as mulheres

Aumento de custo de vida deverá prejudicar mais as mulheres

Prevê o Fórum Económico Mundial

O aumento do custo de vida provocado em parte pelo subida dos preços dos combustíveis e dos alimentos deverá atingir mais duramente as mulheres, previu esta quarta-feira o Fórum Económico Mundial (FEM).

A organização sem fins lucrativos sedeada em Genebra, mais conhecida pelas suas reuniões anuais organizadas em Davos, defendeu esta quarta-feira que a diminuição do fosso de desigualdades de género esperada depois da atenuação da crise da covid-19 não se concretizou.

"As consequências económicas e sociais da pandemia e do conflito geopolítico fizeram uma pausa no progresso e pioraram os resultados para as mulheres e raparigas em todo o mundo, correndo o risco de se criar cicatrizes permanentes no mercado de trabalho", afirmou a diretora-gerente do FEM, Saadia Zahidi, num relatório divulgado hoje.

No entanto, o fosso de género mundial diminuiu em 68,1 por cento em 2022, o que faz com que, ao ritmo atual de progresso, serão necessários 132 anos para se atingir a paridade total, uma melhoria de quatro anos em comparação com a estimativa de 2021, que apontava para os 136 anos. Ainda assim, segundo o relatório, esta melhoria não compensa a perda geracional que ocorreu durante os dois últimos anos, tendo em conta que as tendências apontavam em 2020 para que o fosso entre géneros se equilibrasse dentro de 100 anos.

A paridade de géneros depende sobretudo de quatro fatores:

  • Igualdade de salários e oportunidades económicas
  • Acesso à educação
  • Acesso à saúde
  • Empoderamento político.

No relatório que contou com a participação de 146 países, a Islândia é a mais bem posicionada em termos de igualdade de género, conseguindo fechar o fosso entre sexos em 90.8%, seguida por vários países nórdicos e pela Nova Zelândia. Ainda nos primeiros lugares estão o Ruanda, a Nicarágua e a Namíbia, bem como com a Alemanha, que alcançou pela primeira vez o 10º lugar no ranking.

No fim da lista encontram-se as maiores economias do mundo: os EUA no 27º lugar, a China no 102º e o Japão no 116º. Segundo a Zahidi, as mulheres foram desproporcionalmente afetadas pelo aumento do custo de vida na sequência de cortes no mercado de trabalho durante a pandemia e pela falta de "infraestruturas de cuidados" para idosos ou crianças.

"Face à fraca recuperação, os governos e as empresas devem fazer dois principais esforços em conjunto: adotar políticas direcionadas para apoiar o regresso das mulheres à força de trabalho e o desenvolvimento do talento das mulheres nas indústrias do futuro, caso contrário, arriscamo-nos a corroer permanentemente os ganhos das últimas décadas e a perder os futuros retornos económicos da diversidade", afirmou ela.

O relatório, que vai já na sua 16º edição, pretende acompanhar os choques no mercado de trabalho que podem interferir no fosso entre géneros.

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