Mundo

Agentes que protegiam Mike Pence temeram pela vida no ataque ao Capitólio

Agentes que protegiam Mike Pence temeram pela vida no ataque ao Capitólio
Imagem retirada de um video de Mike Pence num local seguro durante o ataque ao Capitólio / AP

Foi o vice-Presidente que acabaria por ordenar o destacamento do exército e da Guarda Nacional perante a inação do Presidente Donald Trump.

Os agentes que protegiam o então vice-Presidente norte-americano Mike Pence no dia do ataque ao Capitólio, a 6 de janeiro de 2021, temeram pela vida e telefonaram às famílias para se despedirem.

“Os membros da equipa de segurança do vice-presidente começavam a temer pelas suas próprias vidas”, afirmou um oficial de segurança da Casa Branca, cuja identidade não foi revelada, na oitava audiência da comissão parlamentar que investiga o assalto. “Havia muitos gritos e muitos telefonemas pessoais, para se despedirem das famílias”.

Descrevendo uma situação caótica, ouvida nas comunicações de rádio, o oficial do Conselho de Segurança Nacional disse que os agentes estiveram “muito perto” de usar “opções letais ou pior”.

A comissão partilhou vídeos e comunicações de rádio dos agentes que estavam a tentar afastar Mike Pence do perigo, mostrando as dificuldades para encontrarem caminhos desobstruídos depois de os manifestantes terem invadido o Capitólio em busca do vice-presidente.

Vídeo de segurança com o áudio das comunicações dos Serviços Secretos sobre a retirada do vice-presidente Mike Pence / AP

A certa altura, Pence esteve a apenas metros dos invasores, que confrontavam a polícia no piso inferior enquanto os agentes comunicavam para tentar identificar uma rota de fuga.

Foi Pence que acabaria por ordenar o destacamento do exército e da Guarda Nacional para recuperar o controlo da situação, segundo testemunhou o general Mark Milley, perante a inação do então presidente Donald Trump.

Foram também mostradas imagens do senador republicano Josh Hawley, que ao início da tarde levantou o punho em solidariedade para com os invasores mas depois teve de fugir quando os legisladores foram encurralados no congresso.

Al Drago / AP

“Não há nenhum sítio seguro para estes c****** se esconderem”, disse um dos invasores via 'walkie-talkie', em comunicações obtidas pela comissão. “Foi para isto que nós treinámos”, disse outro, perante as notícias de que os legisladores estavam em fuga.

Trump “deitou gasolina no fogo” e “escolheu não agir” perante violência no Capitólio

A oitava audiência pública, que se focou na inação de Trump por mais de três horas durante o assalto, incluiu a corroboração do testemunho da ex-assessora da Casa Branca, Cassidy Hutchinson.

Hutchinson, ex-assessora do chefe de gabinete Mark Meadows, testemunhou, na sexta audiência pública, que Donald Trump teve uma altercação física com o agente do Serviço Secreto quando este se recusou a conduzi-lo até ao Capitólio a 06 de janeiro.

A veracidade do testemunho foi confirmada pelo sargento Mark Robinson, que fazia parte da escolta motorizada do carro presidencial no dia do ataque.

A congressista Elaine Luria disse que a comissão recebeu confirmação de uma segunda testemunha, um ex-funcionário da Casa Branca, que contou uma história similar à de Hutchinson.

A ira de Trump para com o agente Robert Engel tinha sido colocada em causa por aliados do ex-presidente quando Cassidy Hutchinson testemunhou em público.

Depois de seis semanas de audiências com grande alcance mediático, a comissão parlamentar que investiga o ataque ao Capitólio vai fazer uma pausa e regressar em setembro.

A vice-presidente da comissão, Liz Cheney, disse que o trabalho está a intensificar-se, com o orgão a receber denúncias, documentação e cooperação de testemunhas.

“A barragem começou a ceder”, afirmou a congressista republicana, que devido ao seu trabalho na comissão, liderada pelos democratas, deverá perder as primárias em agosto e ver a sua carreira no Congresso chegar ao fim.

Últimas Notícias
Mais Vistos