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Gémeos unidos pelo crânio foram separados com sucesso

Gémeos unidos pelo crânio foram separados com sucesso
G1
A história dos irmãos brasileiros Bernardo e Arthur está a correr o mundo.

Bernardo e Arthur Lima são gémeos e nasceram unidos pela cabeça. Dividiam 15% do cérebro e uma importante veia que conduz o sangue para os corações de cada um. Depois de nove cirurgias e mais de 33 horas no bloco operatório, os meninos foram separados com sucesso, no Rio de Janeiro.

Prestes a completarem de três anos, os gémeos Bernardo e Arthur estão a ser considerados heróis. Desde que nasceram, estes irmãos não conheciam outro ambiente a não ser o hospitalar.

Quando a mãe de ambos engravidou pela terceira vez, logo no primeiro exame soube que algo não estava bem. Os filhos gémeos estavam ligados pela cabeça, num caso classificado com muito raro e muito grave.

Eles já passaram por tanta coisa, já sofreram tanto. Eles são muito guerreiros. Nosso coração é só gratidão, diz a mãe ao G1.

Ao longo de mais de três anos de internamento, a equipa médica liderada pelo neurocirurgião Gabriel Mufarrej fez várias ressonâncias magnéticas e tomografias para tentar perceber a estrutura cerebral e as veias que Bernardo e Artur partilhavam.

Chegou-se à conclusão de que dividiam 15% de cérebro e uma veia importante que conduzia o sangue para os corações de ambos. Mas era preciso mais.

A equipa médica brasileira decidiu então fazer modelos cerebrais em 3D, que se revelaram fundamentais durante as cirurgias.

E, depois de sete cirurgias, o neurocirurgião Gabriel Mufarrej decidiu procurar ajuda para a separação total. Foi então que recorreu ao médico inglês Owase Jeelani, de Londres, o clínico com mais experiência no mundo em separação de craniópagos. E começou a ser preparada a separação.

Cada detalhe da complexa cirurgia foi ensaiado e os médicos envolvidos (mais de 100 profissionais de saúde) foram divididos em duas equipas: uma para cuidar de Bernardo e outra para cuidar do Arthur.

Ao todo, os irmãos foram submetidos a nove cirurgias, tendo a última durado cerca de 23 horas, sob muita tensão e apreensão mas, no final, os gémeos saíram separados do bloco operatório.

O maior sonho é ver eles recuperados, com saúde e até com uma vida social como as outras crianças. Poder estudar, poder jogar bola, diz o pai ao G1

Pela frente, Bernardo e Arthur ainda têm um caminho difícil pela frente mas o sucesso deste procedimento é já uma conquista para a medicina e para o Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer.

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