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Funcionárias da Apple criticam gestão de queixas de assédio pelo grupo

Funcionárias da Apple criticam gestão de queixas de assédio pelo grupo
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Em 2018, de Singapura à Califórnia, milhares de empregados da Apple fizeram uma greve para denunciar a gestão do assédio sexual na empresa.

Várias empregadas, atuais e antigas, da Apple criticam a gestão dos recursos humanos por não as ter levado a sério ou de ter exercido represálias quando se queixaram de situações de assédio, segundo o Financial Times.

Em artigo publicado na quinta-feira, o jornal britânico detalhou as experiências de 15 mulheres, baseado em entrevistas com estas e outros empregados do grupo e em documentos confidenciais.

Aquelas 15 queixosas descreveram reações "dececionantes ou contraprodutivas" da parte dos serviços de recursos humanos e represálias, em alguns casos.

A Apple não reagiu imediatamente ao pedido de comentário pela AFP, mas indicou ao jornal que ia investigar as queixas e previa alterar as suas formações.

Em seis casos, as mulheres que relataram casos de assédio foram consideradas más colaboradoras e saíram da empresa, detalhou o Financial Times.

Algumas receberam mesmo a oferta de vários meses de salário em troca da promessa de não criticarem a Apple em público e não iniciarem processos judiciais.

Desde que o movimento #MeToo se tornou viral em 2017, numerosas mulheres que trabalhavam na muito masculina Silicon Valley denunciaram culturas e comportamentos machistas e sexistas.

Uma das assalariadas da Apple citada pelo jornal, Megan Mohr, declarou-se inspirada pelo movimento para se decidir a relatar aos recursos humanos, em 2018, que um colega lhe tinha retirado a sua camisa e a tinha fotografado depois de uma festa noturna com álcool.

Mas, segundo o artigo, a empresa respondeu-lhe que este comportamento, mesmo que potencialmente criminoso, não infringia qualquer regulamento no contexto do seu trabalho.

Ela acabou por se demitir, ao fim de 14 anos no fabricante do iPhone.

Outra empregada citada pelo Financial Times, Jayna Whitt, contou, em um blogue, como tinha sido repreendida por ter deixado uma relação pessoal interferir com o seu trabalho.

A sua ligação com um advogado do grupo tinha degenerado e ela tinha tentado denunciar os seus comportamentos física e emocionalmente violentos.

A Apple emprega 165 mil pessoas no mundo. Em 2018, de Singapura à Califórnia, milhares de empregados da Apple fizeram uma greve para denunciar a gestão do assédio sexual na empresa.

Este verão, o movimento de protesto contra o assédio e a discriminação interna alargou-se ao estúdio Activision Blizzard.

Antes, em dezembro, seis mulheres apresentaram queixa contra a Tesla, relatando factos de assédio sexual na fábrica californiana do construtor automóvel e represálias contra quem apresentou queixas.

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