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Mãe de dois filhos hospitalizada com desnutrição: como a inflação está a afetar o Reino Unido

Mãe de dois filhos hospitalizada com desnutrição: como a inflação está a afetar o Reino Unido
Chalermphon Kumchai / EyeEm
"Eu choro todos os dias, porque isto está a piorar e sinto-me presa, como se estivesse a sufocar". Um caso que ilustra o impacto brutal da inflação no Reino Unido.

Uma mãe solteira com dois filhos menores vive (ou melhor, sobrevive) com apenas uma refeição por dia para conseguir alimentar as crianças. Isto numa altura em que o custo de vida disparou no Reino Unido. Kelly Thompson, de 42 anos, foi hospitalizada duas vezes por desnutrição, porque vive com apenas 40 libras (cerca de 47 euros) por semana.

Com uma renda mensal de 1.300 libras (1.540 euros) e outros custos, ao final do mês Kelly fica com apenas 160 libras (cerca de 190 euros) para outras despesas, como alimentação, disse ao jornal Independent.

A mulher considera que o aumento dos preços dos alimentos tornou-se impossível de suportar. Kelly Thompson explica que teve, inclusive, de vender a televisão da família e a smart TV, que tinha sido um presente de aniversário para a filha, para poder comprar comida.

"O custo de vida está uma loucura agora e não sei o que fazer. Não temos nada. Sinceramente, sinto que vou ter que recorrer à mendicidade", admite.

A mulher, de 42 anos, disse que já pensou em roubar, mas não consegue suportar o que poderia acontecer ao filho de 14 anos e à filha de 11.

"Eu choro todos os dias, porque isto está a piorar e sinto-me presa, como se estivesse a sufocar e não há nada que possa fazer".

A tomar apenas uma refeição por dia, a mãe de dois filhos teve de ser hospitalizada duas vezes por desnutrição e adiantou que precisa de transfusões de sangue para reabastecer os níveis de ferro esgotados, visto que não consegue comprar alimentos frescos.

Kelly Thompson tem recorrido a bancos alimentares, mas ainda assim vive com fome. Tem enfrentado mais dificuldades desde que foi despedida, em dezembro de 2020, do trabalho de faxineira.

Ao jornal britânico, admite que o inverno foi brutal para a família, que ficava sem energia e tinha de usar velas para iluminar a casa porque Kelly não tinha dinheiro para pagar as contas.

Os preços no Reino Unido aumentaram 10,1% em julho, face à subida de 9,4% no mês anterior, situando-se no valor mais alto em mais de 40 anos, anunciou esta quarta-feira o Gabinete Nacional de Estatísticas (ONS).

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