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Diretor da OMS desafaba sobre Etiópia: "Tenho lá muitos familiares, nem sei quais estão mortos ou vivos"

FILE PHOTO: World Health Organization Tedros Adhanom Ghebreyesus gives a statement on the coronavirus disease (COVID-19) vaccination, during a European Union – African Union summit, in Brussels, Belgium February 18, 2022. REUTERS/Johanna Geron/Pool/File Photo
FILE PHOTO: World Health Organization Tedros Adhanom Ghebreyesus gives a statement on the coronavirus disease (COVID-19) vaccination, during a European Union – African Union summit, in Brussels, Belgium February 18, 2022. REUTERS/Johanna Geron/Pool/File Photo
A região de Tigray voltou a estar isolada pelas forças militares federais.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, natural de Tigray, na Etiópia, afirmou que não tem "há muito tempo" qualquer contacto com os seus familiares na região e não pôde ajudá-los enquanto "passavam fome".

A declaração chega um dia depois de novos combates no estado no norte da Etiópia entre o exército federal e as forças leais à administração tigray terem quebrado uma trégua de cinco meses.

"Tenho lá muitos familiares (...) Nem sei quais estão mortos e quais estão vivos", disse.

Esta não é a primeira vez que Tedros Ghebreyesus fala sobre a situação no seu país e a situação humanitária em Tigray.

"Não posso enviar-lhes dinheiro. Estão a passar fome, sei que (...) não posso partilhar com eles o que tenho porque estão completamente isolados. Não posso falar com eles. Há muito tempo que não falo com eles", afirmou.

A 17 de agosto, o diretor-geral da OMS fez soar o alarme sobre a situação humanitária em Tigray, que considerou "a pior catástrofe do mundo", culpando os líderes dos países desenvolvidos por negligenciarem a crise.

Há seis milhões de pessoas que "estão a ser castigadas coletivamente", disse.

A região de Tigray voltou a estar isolada pelas forças militares federais depois do reacendimento dos confrontos na madrugada de quarta-feira, limitando a entrega de ajuda humanitária numa área onde mais de dois milhões de pessoas necessitam de assistência urgente. Foram ainda impostos cortes de eletricidade e telecomunicações.

"Todos os que estão envolvidos no trabalho humanitário estão desapontados com os esforços da comunidade internacional em relação à situação em Tigray. Não progredimos durante mais de 21 meses e o impasse criou condições desumanas", afirmou Soce Ibrahima Fall, diretor-geral adjunto da OMS para a Resposta a Emergências.

A guerra em Tigray eclodiu a 4 de novembro de 2020, quando o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, enviou o exército federal para o estado no norte do país, com a missão de retirar pela força os dirigentes locais da TPLF que vinham a desafiar a autoridade de Adis Abeba há muitos meses.

O pretexto específico da invasão foi um alegado ataque das forças estaduais a uma base militar federal no Tigray, e a operação foi inicialmente caracterizada por Adis Abeba como uma missão de polícia, que tinha como objetivo restabelecer a ordem constitucional e conduzir perante a justiça os responsáveis pela sua perturbação continuada.

O conflito na Etiópia provocou a morte de vários milhares de pessoas e fez mais de dois milhões de deslocados, deixando ainda centenas de milhares de etíopes em condições de quase fome, de acordo com a ONU.

O reacendimento dos combates na quarta-feira marca o fim de uma trégua acordada no final de março e até agora respeitada.

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