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Líder da UNITA lamenta "excessos partidários" durante cerimónias fúnebres

Líder da UNITA lamenta "excessos partidários" durante cerimónias fúnebres
PAULO NOVAIS/Lusa
Adalberto Costa Júnior falou aos jornalistas após prestar homenagem ao ex-Presidente angolano, mas admitiu que foi uma "decisão difícil".
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O presidente da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, lamentou os "excessos partidários" nas cerimónias fúnebres do ex-presidente José Eduardo dos Santos e considerou que este é um dos desafios que Angola tem pela frente.

"Achámos que devíamos estar presentes no sentido de prestar homenagem ao ex-presidente da República. Não foi uma decisão fácil, dado o facto de termos aqui chegado com tanta falta de tranquilidade e ausência de uma parte da família, assistimos a uma cerimónia com alguns excessos partidários, não me parece que coubessem aqui as mensagens dos partidos políticos", comentou.

Durante as cerimónias fúnebres, foram lidas mensagens da família e de várias entidades, incluindo da vice-presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido de José Eduardo dos Santos, do qual era presidente emérito na altura da sua morte, e que está no poder em Angola desde a independência em 1975.

"Quando se trata do Estado, o Estado deve representar-nos a nós todos e estes ainda são os desafios que Angola tem pela frente, mas independentemente disso fizemos bem em vir até cá", complementou.

Questionado sobre os resultados das eleições, vincou que "Angola não tem ainda os resultados definitivos" e que "os dados que temos [UNITA] atribuem-nos muito mais mandatos".

"A nossa contagem não terminou. [Mas] estamos tranquilos e só podemos esperar que seja respeitado escrupulosamente o voto depositado nas urnas"

Caso a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) afirmar que os resultados finais dão a vitória ao MPLA, Adalberto Costa Júnior esclareceu que aceitará esses resultados porque, sustentou, "a partir do momento em que aceitámos entrar no jogo, vamos ter que nos cingir aos resultados que as atas nos conferirem".

O funeral do ex-chefe de Estado decorreu em período pós-eleitoral e ainda sem resultados definitivos do escrutínio de quarta-feira, em que os dados provisórios apontam para a vitória do MPLA, que o maior partido da oposição União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) rejeita.

Depois de falar aos jornalistas, Adalberto Costa Júnior, quando se dirigia da tenda onde a decorreu a cerimónia para o Memorial Agostiho Neto, foi aplaudido e muitos dos presentes gritavam "3", numa alusão à posição da UNITA no boletim de voto, e "Presidente", tendo o líder do principal partido da oposição respondido com acenos à população.

O antigo chefe de Estado morreu em 8 de julho, com 79 anos, em Barcelona, Espanha, onde passou a maior parte do tempo nos últimos cinco anos, mas as exéquias só agora se vão realizar devido à disputa sobre a custódia do corpo entre duas fações da família de José Eduardo dos Santos - a viúva e os três filhos mais novos, apoiados pelo regime angolano, contra os cinco filhos mais velhos.

Nas cerimónias de hoje encontravam-se Ana Paula dos Santos e os três filhos que teve em comum com o antigo chefe de Estado, bem como um outro filho, José Filomeno dos Santos "Zenu", que foi condenado pela justiça angolana a uma pena de prisão pelo seu envolvimento num caso de corrupção e aguarda, em liberdade, decisão sobre o recurso que interpôs.

O funeral ficou marcado também pela ausência das mediáticas filhas mais velhas do ex-presidente, a empresária Isabel dos Santos que enfrenta diversos processos na justiça angolana e em outros países, e a ex-deputada do MPLA, Tchizé dos Santos, que declarou o seu apoio ao candidato da UNITA à presidência angolana, Adalberto da Costa Junior, contra o candidato do MPLA e sucessor do seu pai na presidência, João Lourenço.

A Praça da República, onde se encontra o monumento fúnebre do primeiro Presidente angolano, no Memorial António Agostinho Neto, foi novamente escolhida para as cerimónias fúnebres, depois de ter acolhido um velório público sem corpo logo após a morte de José Eduardo dos Santos, durante um luto nacional de sete dias.

Hoje, houve honras militares num programa que incluiu música lírica, leitura de mensagens do Estado angolano e da família, do MPLA, da Fundação José Eduardo Santos e leitura do elogio fúnebre, bem como um culto ecuménico, acompanhado de grupos corais.

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