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Cientistas descobrem como a "medusa imortal" consegue rejuvenescer e atrasar a morte

Cientistas descobrem como a "medusa imortal" consegue rejuvenescer e atrasar a morte
CHARLES PLATIAU
Esta é uma descoberta que permite perceber o segredo da sua longevidade e descobrir novas pistas para atrasar o envelhecimento humano.

Uma equipa de cientistas espanhóis descodificou o código genético da “medusa imortal”. Esta é uma descoberta que permite perceber o segredo da sua longevidade e descobrir novas pistas para o envelhecimento humano.

A investigadora Maria Pascual-Torner, juntamente com Victor Quesada e outros investigadores da Universidade de Oviedo, em Espanha, levaram a cabo um estudo agora publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, que consistiu no mapeamento da sequência genética da espécie Turritopsis dohrnii, uma medusa que é capaz de regressar a uma fase mais jovem depois de adulta, ou seja, consegue reverter a sua idade mesmo depois de se reproduzir.

A vida desta espécie de medusa é dividida em duas fases: primeiro, e antes de atingir a maturidade sexual, permanece no fundo do mar, tentando apenas alimentar-se e manter-se viva, e depois numa fase posterior procura reproduzir-se sexualmente. Outros tipos de medusa têm comportamentos semelhantes e também conseguem rejuvenescer, contudo apenas a T. dohrnii consegue fazê-lo após atingir a maturidade sexual.

Monty Graham, professor de biologia integrativa e diretor do Instituto de Oceanografia da Florida, explicou, em declarações à agência Reuters, que esta capacidade de reverter o envelhecimento por parte da T. dohrnii já é conhecida pela comunidade científica “há talvez 15-20 anos”. Foi este facto que levou a que a espécie passasse a ser conhecida como "medusa imortal”, embora Graham assuma que esta designação possa ser ligeiramente exagerada.

Esta investigação teve como principal objetivo perceber o que difere entre a Turritopsis dohrnii e a Turritopsis rubra, um ser um tanto ou quanto parecido geneticamente à medusa imortal. A diferença é que a segunda não tem a capacidade de rejuvenescer após iniciar o processo de reprodução sexual. O que foi descoberto na sequência do estudo foi que a T.dohrnii possui várias alterações no seu genoma que tornam possível a própria medusa copiar o seu ADN e repará-lo. Foi também revelado que este animal tem a capacidade de recuperar e reparar os telómeros - extremidades dos cromossomas. Tal não acontece nos humanos, cujos telómeros diminuem com o passar dos anos.

Esta capacidade pode ser a chave para a reversão da idade em humanos, mas Graham garante que, para já, esta investigação não terá valor comercial:

“Não podemos olhar para isto como: ‘Ei, vamos recolher estas medusas e transformá-las num creme para a nossa pele’”.

Contudo, quem acha que esta será uma solução para vida eterna desengane-se. Monty Graham deixa bem claro que o que sucede com a “medusa imortal” não poderá acontecer tal e qual com os humanos, uma vez que a pouca complexidade da estrutura do animal potencia o seu rejuvenescimento. Tal como o ser humano são vertebrados, possuem órgãos e tecido, o “retrocesso de todo o organismo a um estágio juvenil não seria possível”.

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