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Mais de 4.000 professores em falta nas escolas francesas

Mais de 4.000 professores em falta nas escolas francesas
Maskot
Falta de professores perturba regresso às aulas de 12 milhões de alunos.

O ano escolar em França arrancou com cerca de quatro mil professores em falta e aumentos para quem entra na carreira que podem levar a uma mobilização geral a 29 de setembro.

"A mim parece-me que o Estado tem muito interesse também em ter professores contratados porque fica muito mais barato. Eu fui professora contratada muitos anos e sei que havia lugar para professores de carreira, mas por questões financeiras preferiam ter professores contratados", disse à agência Lusa uma professora de português que trabalha na educação nacional francesa, na região de Paris.

Com uma larga experiência como contratada, esta professora, que pediu para não ser identificada, passou recentemente o concurso de acesso à carreira de professor e diz que a dependência de professores contratados já dura há vários anos e que não se espantou com a falta de professores anunciada no início do ano letivo.

Esta falta de cerca de quatro mil professores terá levado a entrevistas aceleradas em várias regiões de França, nomeadamente na região parisiense. Segundo os relatos de vários meios de comunicação, passou a ser possível ser contratado como professor do pré-escolar ao liceu numa entrevista de 30 minutos e sem qualquer formação ou ligação à escola, bastando apenas uma licenciatura.

"Os professores contratados não escrevem uma carta e são contratados. É preciso enviar o currículo, a nossa experiência e depois há uma entrevista com um inspetor, muito similar ao que se faz quando se passa o concurso. Até agora, sempre existiram esses encontros", descreve a professora com quem a Agência Lusa falou.

Numa entrevista, o novo ministro da Educação francês, Pap Ndiaye, que está em funções desde junho, declarou que os professores contratados sem experiência receberiam quatro dias de formação e um acompanhamento ao longo do ano. Este acompanhamento é contestado pelos professores mais experientes, já que vai pesar no seu horário já sobrecarregado.

"Esses colegas inexperientes são enviados para as escolas mais complicadas, com problemas de disciplina. Se uma pessoa sem experiência chega a estas escolas, vai aconselhar-se com os professores que já estão lá e vão ser eles que o vão formar", declarou a professora.

De forma a tornar novamente atrativa a carreira de professor em França, Emmanuel Macron garantiu que o salário para um professor em início de carreira não será menos de 2.000 euros líquidos, uma fasquia a que hoje só acedem professores com 13 ou 14 anos de experiência. Segundo Pap Ndiaye, isso levaria a uma valorização generalizada dos salários dos professores mais experientes.

No entanto, também o local onde os professores ensinam deve ser tido em conta e refletir-se nos salários, defende a docente.

"Uma das coisas que é muita falada é que um professor que trabalhe em Paris tem, por exemplo, o mesmo salário de um professor que trabalha em Clermont-Ferrand [a mais de 400 quilómetros de distância, no centro de França]. Ora, as despesas não são as mesmas porque a renda de uma casa não é a mesma, nem o preço das coisas é igual. Por isso, há muitos professores que querem sair de Paris e muitos que vivem na precariedade", explicou a professora parisiense.

Todas estas dificuldades do início do ano escolar têm levado os sindicatos a apelar à adesão à greve geral de 29 de setembro, que vai decorrer antes da apresentação do Orçamento do Estado para 2023.

Nalgumas escolas, as greves já começaram, com os professores a serem apoiados pelos pais dos alunos, que pedem turmas com menos alunos e mais professores.

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