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Eleições regionais e municipais na Rússia num contexto favorável ao partido do Kremlin

Eleições regionais e municipais na Rússia num contexto favorável ao partido do Kremlin
Christophe Coat / EyeEm

Foram convocados mais de 44 milhões de eleitores.

As eleições regionais e municipais que este domingo foram concluídas na Rússia converteram-se num plebiscito para a Rússia Unida, o partido do Kremlin, que procura consolidar o seu poder com base na campanha militar iniciada na Ucrânia em 24 de fevereiro.

Nestas eleições, que decorram durante três dias, com a possibilidade de voto antecipado pela internet em diversas regiões, foram convocados mais de 44 milhões de eleitores.

As assembleias de voto, mais de 38.000, estiveram em funcionamento entre as 08:00 e as 20:00 (hora local), durante sexta-feira, sábado e domingo, para permitir aos russos a eleição de mais de 31.000 deputados e funcionários nas 82 regiões do país, incluindo 14 governadores.

O nível de participação divergiu, e nas eleições que decorreram em 11 regiões russas terão votado entre 13% e 44% dos eleitores inscritos, enquanto nas eleições para as assembleias legislativas locais a percentagem situou-se entre os 13% e os 38%, indicaram os responsáveis eleitorais citados pela agência noticiosa Efe.

A fraca participação terá favorecido a Rússia Unida, que mantinha uma intenção de voto de 41%, segundo uma recente sondagem do Fundo de opinião pública, e que procurou afirmar-se com uma campanha discreta e muito crítica face aos candidatos opositores.

Ao contrário dos anos anteriores, escassearam as iniciativas eleitorais, e quando os comícios estão proibidos pelas autoridades desde de 2020, primeiro com o pretexto da epidemia do coronavírus e agora devido à operação militar, que hoje atingiu o 200º dia.

A campanha militar russa na vizinha Ucrânia foi utilizada pela Rússia Unida como uma “arma de arremesso” contra a oposição, a quem estavam reservadas poucas opções: o exílio, manifestar-se publicamente contra a “operação militar especial” e assumir as consequências, ou o silêncio.

Segundo dados divulgados pela Efe, 78 políticos foram impedidos de se apresentarem ao escrutínio, apesar de a presidente da Comissão eleitoral central, Ella Pamfilova, se ter referido a eleições “competitivas” e que coincidiram com a inauguração em Moscovo, que celebrou o 875º aniversário da fundação, de uma nova autoestrada que atravessa a cidade e da roda gigante “Sol de Moscovo”, a maior da Europa com 144 metros de altura, na presença do Presidente Vladimir Putin.

Neste contexto, os primeiros resultados proveniente do Oriente longínquo, onde as assembleias de voto encerraram horas face às regiões ocidentais do vasto país, indicavam o partido do Kremlin como favorito, apesar de os resultados definitivos apenas serem divulgados no decurso da semana.

Assim, e na cidade de Vladivostok, mas margens do oceano Pacífico, os candidatos da Rússia Unida lideravam em 15 dos 35 distritos após a contagem de 53% dos votos.

Ainda hoje, os apoiantes do líder opositor russo Alexey Navalny, atualmente na prisão, voltaram de novo a apelar à participação nas eleições e aplicar a iniciativa da oposição designada “voto inteligente”.

A equipa de Navalny publicou hoje nas suas plataformas um apelo para que fossem apoiados os candidatos mais bem colocados para derrotar os representantes oficiais, e que teve resultados eficazes nas eleições municipais e regionais de 2019.

“Tentam por todos os meios que não participemos nas eleições, amedrontar, confundir, enganar, promover a rejeição deste mecanismo”, denunciaram os opositores, para quem este escrutínio “constituem um ‘stress’” para os candidatos oficialistas a todos os níveis.

“Façamos com que este ‘stress’ seja o maior possível”, apelou a equipa de Navalny, ao divulgar páginas digitais e serviços de mensagens com acesso às listas de candidatos alternativos.

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