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Menino morreu após comer uma pizza da marca Buitoni, luta do pai continua

Menino morreu após comer uma pizza da marca Buitoni, luta do pai continua
FRANCOIS LO PRESTI/Getty Imagens
A produção das pizzas será retomada em breve, após luz verde das autoridades de saúde francesas. Mas há ainda muito por explicar.

Sete meses depois da morte do pequeno Nathan, há ainda questões por esclarecer e a luta do pai Yohan Aiech contra a Nestlé continua. Esta segunda-feira Nathan faria nove anos, mas tal não aconteceu porque fez parte de um grupo de dezenas de pessoas que foram contaminadas pela bactéria Escherichia coli ou E. coli presente em lotes de pizza da marca Buitoni.

Desde o final de março, vários lotes de pizzas Buitoni foram retirados do mercado francês devido a casos de intoxicação graves associados ao consumo das pizzas. Pelo menos em 12 regiões do país foram registados casos e duas crianças, entre as quais o pequeno Nathan, morreram.

“Hoje é o aniversário do Nathan. Saí do trabalho e fui colocar uma flor no túmulo dele. Digo-lhe [ao Nathan] que faço tudo para que a Nestlé se encontre cara a cara comigo e me expliquem porquê", disse emocionado à BFMTV.

Apesar de a produção de pizzas na fábrica de Caudry no Norte do país ter sido interrompida, Yohan Aiech diz que faltam explicações e respostas a dos poderes públicos.

"Não somos considerados pela justiça, não somos considerados pela classe política. Não somos ouvidos. Só o dinheiro consegue fazer as coisas acontecerem", lamenta.

Pierre Debuisson, advogado do pai de Nathan e de mais 48 famílias de vítimas, acaba de avançar na justiça com um processo por negligência grave e exige 250 milhões de euros ao grupo suíço.

"São danos à altura desta tragédia humana sem precedentes. [Passado este tempo], a Nestlé ainda não tem a consciência das suas falhas inadmissíveis", sustenta o advogado das famílias à BFMTV, acreditando que estes casos permitirão evitar novas tragédias.

"A Nestlé é um grupo que gera 80 milhões de faturação ao ano, [pelo que este] é um prejuízo que nos parece inteiramente proporcional e que talvez encoraje o grupo a não mais cometer mais falhas".

Em maio deste ano, o Ministério Público de Paris abriu uma investigação judicial por homicídio involuntário, lesões involuntárias, e colocação no mercado de um produto perigoso para a saúde pública. Mas até então sem quaisquer conclusões.

Nessa mesma altura, a Buitoni assegurou, nas redes sociais, que “todas as análises realizadas em todas as pizzas cumprem os critérios de qualidade e segurança alimentar”, pelo que “podem ser consumidos com segurança”.

As linhas de produção de pizzas em Caudry, com 200 trabalhadores, serão, segundo a BFMTV, retomadas no próximo mês de novembro, após a luz verde dada pelas autoridades de saúde.

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