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Nobel da Medicina atribuído a sueco Svante Pääbo pelas "descobertas no genoma de hominídeos extintos e evolução humana"

Foto de arquivo de Svante Paabo, abril de 2022
Foto de arquivo de Svante Paabo, abril de 2022
Reuters
Cientista foi responsável pela sequenciação do genoma do Neandertal e pela descoberta de um hominídeo anteriormente desconhecido, Denisova.

O prémio Nobel da Medicina e Fisiologia foi hoje atribuído ao cientista sueco Svante Pääbo e pioneiro da paleogenómica “pelos seus trabalhos no genoma de hominídeos extintos e descobertas sobre a evolução humana”, anunciou o secretário do Comité Nobel, Thomas Perlmann, no Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia.

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Svante Pääbo, de 67 anos, trabalha há várias décadas na Alemanha. onde, em 2009, descobriu que houve uma transferência de genes em cerca de 2% dos neandertais já desaparecidos para o atual Homo sapiens.

“Com a sua investigação pioneira, Svante Pääbo fez algo aparentemente impossível: sequenciar o genoma do Neandertal, um parente extinto dos humanos atuais. Fez também a descoberta sensacional de um hominídeo anteriormente desconhecido, Denisova. É importante realçar que Pääbo também descobriu que a transferência de genes ocorreu desses hominídeos agora extintos para o Homo sapiens após a migração para fora da África há cerca de 70.000 anos. Esse antigo fluxo de genes para os humanos atuais tem relevância fisiológica hoje em dia, por exemplo, afetando como o nosso sistema imunitários reage a infeções”.

Temporada Nobel 2022

Este é o primeiro dos Nobel a ser anunciado este ano. Amanhã, terça-feira, é entregue o da Física e, na quarta-feira, o da Química.

Na quinta-feira, dia 6 de outubro, será atribuído o Nobel da Literatura e na sexta-feira será conhecido o nome do novo Nobel da Paz.

O último anúncio será feito no dia 10 de outubro com o vencedor do Nobel da Economia.

O prémio consiste numa medalha, um diploma e dez milhões de coroas suecas (mais de 953.000 euros).

Curiosidades sobre os Prémios Nobel

Os prémios Nobel nasceram da vontade do cientista e industrial sueco Alfred Nobel (1833-1896) em legar grande parte de sua fortuna a pessoas que trabalhem para “o benefício da humanidade”.

Um erro na origem dos prémios?

Em 12 de abril de 1888, o irmão mais velho de Alfred Nobel, Ludvig, morreu em Cannes, França. Mas o Le Figaro engana-se e anuncia na primeira página a morte de Alfred: "Um homem que dificilmente pode ser considerado um benfeitor da humanidade morreu ontem em Cannes. O senhor Nobel, inventor da dinamite".

Este obituário prematuro terá atormentado Alfred Nobel e terá sido a razão para a criação dos prémios. Talvez por isso Nobel tenha escrito que os prémios distinguiriam aqueles que trabalharam “em benefício da humanidade”.

Prémio apenas para pessoas vivas

Desde 1974, os estatutos da Fundação Nobel estipulam que um prémio não pode ser concedido postumamente, a menos que a morte ocorra após o anúncio do nome do vencedor.

Até então, apenas duas personalidades falecidas foram recompensadas: o poeta sueco Erik Axel Karlfeldt (literatura em 1931) e o secretário-geral da ONU Dag Hammarskjöld, que foi assassinado (Nobel da Paz em 1961).

Uma vez o Nobel não foi concedido em homenagem a um vencedor falecido. Foi em 1948, após a morte de Gandhi.

Uma fortuna em troca de uma medalha Nobel

Os Prémios Nobel consistem numa soma de dez milhões de coroas por categoria (cerca de 900.000 euros) e uma medalha de ouro de 18 quilates.

Mas o vencedor do Nobel da Paz de 2021, o jornalista russo Dmitry Muratov, conseguiu transformar ouro em fortuna, em benefício das crianças ucranianas. Em junho, a medalha de 196 gramas recebida pelo co-vencedor de 2021 foi vendida por 103,5 milhões de dólares a um filantropo anónimo, valor que foi doado à UNICEF.

Um Nobel pioneiro em 1903 sobre o aquecimento global

O físico e químico sueco Svante Arrhenius recebeu o Nobel da Química em 1903 pela sua "teoria eletrolítica da dissociação".

Mas foi outro trabalho que lhe valeu o estatuto de pioneiro: no final do século XIX, foi o primeiro a teorizar que a combustão de combustíveis fósseis - na época, especialmente o carvão - lançava CO2 para a atmosfera causando o aquecimento do planeta. Segundo os seus cálculos, a duplicação da concentração de dióxido de carbono aqueceria o planeta em 5°C - os modelos modernos preveem de 2,6 a 3,9°C. Longe de suspeitar as quantidades cada vez maiores de combustíveis fósseis que a humanidade viria a consumir, Arrhenius subestimou a velocidade a que esse nível será alcançado e previu que esse aquecimento ocorreria em 3.000 anos.

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