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Jovem cabo-verdiano com cancro espera há um ano por tratamento em Portugal

Médicos da cidade da Praia decidiram que tinha de ser retirado do país com urgência.

Ivanilson, o jovem cabo verdiano com cancro que está à espera há mais de um ano para um tratamento em Portugal, acompanhado pela mãe.
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Ivanilson, de 16 anos, foi diagnosticado com cancro em julho de 2021 e está há mais de um ano à espera de uma resposta de saúde.

Os médicos da cidade da Praia decidiram que tinha de ser retirado do país com urgência, mas enquanto isso não acontece a doença vai progredindo.

"Neste momento ele não respira nariz, só pela boca, porque os caroços que tem parece que querem tomar conta do pescoço inteiro. (...) Ele tem hemorragias e muita dor, e eu não consigo fazer nada", conta a mãe de Ivanilson num vídeo gravado pela tia.

Em novembro do ano passado a Junta de Saúde de Sotavento, do Hospital Universitário Agostinho Neto, na capital de Cabo Verde, decidiu que o jovem devia ser levado para um centro de cabeça e pescoço para tratamento cirúrgico com máxima urgência

Essa urgência nunca passou do papel e, em setembro, a mesma junta admitia que pela demora devia ser agilizado o processo.

A família vive com poucos recursos na aldeia de Covão Sanches, a 45 minutos da cidade da Praia, capital de Cabo Verde. Não tem meios para se deslocar para Portugal e depende, por isso, dos serviços públicos.

"Vamos ao hospital, dão-lhe um remédio para parar a hemorragia e mandam-no para casa novamente. Não fazem mais nada. Estou a pedir ajuda a todos os que puderem, para me ajudarem a salvar o meu menino porque esta doença é horrível. Preciso que todos me ajudem a salvar o meu menino", apela a mãe.

Desde o fim dos anos 70 que Portugal tem protocolos com os países africanos de língua oficial portuguesa para tratar doentes, mediante a capacidade de resposta, mas cabe aos países de origem assegurar transporte e alojamento.

A SIC contactou a Direção-Geral da Saúde e as autoridades cabo-verdianas para perceber o que está a falhar no caso de Ivanilson, mas nem de um lado nem de outro chegaram respostas.