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Ativista agredido no consulado chinês em Manchester, legisladores pedem investigação

Ativista agredido no consulado chinês em Manchester, legisladores pedem investigação
Matthew Leung/Chaser News
Ativistas e legisladores do Reino Unido exigiram que seja investigada a agressão a um manifestante pró-democracia de Hong Kong.

Ativistas e legisladores do Reino Unido exigiram, esta segunda-feira, que seja investigada a agressão a um manifestante pró-democracia de Hong Kong, ocorrida, no domingo, no consulado chinês em Manchester, no noroeste de Inglaterra.

O grupo de manifestantes de Hong Kong organizou o protesto à porta do consulado no dia da cerimónia de abertura do 20.º Congresso do Partido Comunista da China, que decorre esta semana em Pequim.

No vídeo, partilhado nas redes sociais, um dos manifestantes de Hong Kong aparece a ser espancado por um grupo de homens, depois de ter sido arrastado para dentro do consulado. Um agente da polícia entra de seguida no consulado e retira o manifestante.

Em comunicado, a polícia de Manchester disse que as “investigações estão em andamento para entender o que se passou”.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Wenbin, disse, esta segunda-feira, desconhecer a situação.

“A Embaixada e os consulados da China no Reino Unido sempre cumpriram com a lei do país”, afirmou, em conferência de imprensa. “Também esperamos que o lado britânico, de acordo com as disposições da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, facilite o desempenho normal das funções da embaixada e dos consulados chineses no Reino Unido”, apontou.

O vídeo foi partilhado por vários legisladores do Reino Unido, que pediram uma investigação sobre o alegado envolvimento dos funcionários consulares.

“O Governo do Reino Unido deve exigir um pedido de desculpas completo ao embaixador chinês e exigir que os responsáveis sejam enviados de volta para a China”, escreveu o legislador do Partido Conservador Iain Duncan Smith, na rede social Twitter.

Ativistas proeminentes de Hong Kong também se pronunciaram sobre o caso. Nathan Law, ex-legislador e ativista pró-democracia que fugiu para o Reino Unido, em 2020, escreveu no Twitter que “se o pessoal do consulado responsável não for responsabilizado, os habitantes de Hong Kong viverão com medo de serem sequestrados e perseguidos”.

Law instou o Governo britânico a investigar o sucedido e a proteger os ativistas pró-democracia no Reino Unido.

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O Reino Unido recebeu milhares de cidadãos de Hong Kong, muitos dos quais deixaram o território após a introdução de uma ampla lei de segurança nacional, em 2020, que os críticos dizem ter acabado com a autonomia da antiga colónia britânica.

De acordo com uma declaração difundida pelos organizadores do protesto, cerca de 60 manifestantes reuniram-se do lado de fora do consulado de Manchester para protestar contra a “reeleição de Xi Jinping”.

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Desde que assumiu a liderança, em 2012, Xi tornou-se centro da política chinesa. Ele é atualmente considerado um dos líderes mais fortes da História recente do país, comparável a Mao Zedong, o fundador da República Popular.

Congresso do Partido Comunista da China

No discurso inaugural do congresso, o líder chinês disse que as medidas tomadas em Hong Kong, após os protestos pró-democracia de 2019, restauraram a ordem e garantiram que a região semiautónoma fosse governada por patriotas.

Hong Kong “entrou num novo estágio, no qual restaurou a ordem e está pronto para prosperar”, afirmou.

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