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Obama tem nova oportunidade de ajudar Democratas nas eleições intercalares

Obama tem nova oportunidade de ajudar Democratas nas eleições intercalares
Charles Rex Arbogast

Barack Obama, na Geórgia, um périplo pelos Estados que podem ser alvo de disputa entre Democratas e Republicanos.

O ex-Presidente norte-americano Barack Obama está a tentar fazer uma coisa em que não foi bem-sucedido nos seus dois mandatos como chefe de Estado: ajudar os Democratas a vencer as eleições intercalares quando já detêm a Casa Branca.

É claro que Obama é agora mais popular do que era na altura (2009-2017), e que é o atual Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o seu então vice-presidente, quem enfrenta uma eventual derrota dos Democratas nas urnas, nestas eleições realizadas a meio do mandato presidencial de quatro anos - desta vez, a 8 de novembro -, destinadas a substituir a totalidade dos 435 assentos da Câmara dos Representantes (a câmara baixa do Congresso), 33 ou 34 assentos do Senado (a câmara alta), e 36 governadores dos 50 Estados do país, entre outros governantes locais.

Obama começa esta sexta-feira na Geórgia um périplo pelos Estados que podem ser alvo de disputa entre Democratas e Republicanos, viajará no sábado até ao Michigan e ao Wisconsin, seguindo-se, na próxima semana, paragens no Nevada e na Pensilvânia.

O itinerário, que inclui comícios com os candidatos Democratas a cargos federais e estaduais, inicia-se numa altura em que Biden e o Partido Democrata tentam combater uma forte investida do Partido Republicano para derrubar as estreitas maiorias Democratas nas duas câmaras do Congresso e conquistar lugares de governadores decisivos para as eleições presidenciais de 2024.

Com os níveis de aprovação de Biden na área do emprego nos 40 e poucos por cento, num contexto de inflação controlada, Obama poderá não ser necessário a Democratas como os senadores Rafael Warnock, da Geórgia, e Catherine Cortez Masto, do Nevada, mas os estrategas do partido veem-no como conseguindo chegar a toda a gente, mesmo numa altura de híper-partidarização e incerteza económica.

“Obama ocupa um lugar raro na nossa política atual”, afirma David Axelrod, que ajudou a conceber as campanhas de Obama desde os seus dias no Senado estadual do Illinois até aos seus dois mandatos presidenciais.

“Ele atrai obviamente muitos Democratas. Mas os eleitores independentes também gostam muito dele”, sublinhou.

Nem Biden nem o seu antecessor, o ex-Presidente Donald Trump, podem afirmar o mesmo, observaram Axelrod e outros, embora ambos estejam também a intensificar as respetivas campanhas para as intercalares de 8 de novembro.

“Barack Obama é o melhor comunicador que temos no nosso partido e é a figura política mais popular no país em ambos os partidos”, disse Bakari Sellers, democrata da Carolina do Sul e proeminente comentador político.

Obama deixou o cargo em janeiro de 2017 com uma taxa de aprovação de 59%, e a Gallup estimou a sua aprovação pós-presidencial em 63% no ano seguinte, a última vez que a empresa de sondagens realizou estudos de opinião sobre ex-presidentes.

Esse número é bastante mais elevado que o seu nível de aprovação em 2010, quando os Democratas perderam o controlo da Câmara dos Representantes numas intercalares a que Obama chamou uma “sova”, e que nas suas segundas eleições intercalares, quatro anos depois, quando o Partido Republicano recuperou o controlo do Senado.

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