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Escândalo das galinhas do Lidl: "frankenchickens", doentes e moribundas

Escândalo das galinhas do Lidl: "frankenchickens", doentes e moribundas
Twitter/ Szilard Csoka/Equalia

Há novas imagens de maus-tratos a animais, desta vez as vítimas são galinhas. As imagens, que estão a correr mundo, foram recolhidas secretamente numa quinta alemã. Só por si as imagens são motivo de choque e indignação, mas há outra questão a preocupar: a quinta pertence a um dos fornecedores dos supermercados Lidl. Aviso: este artigo contém imagens que podem ferir suscetibilidade dos leitores.

O “escândalo das galinhas” está a abalar a cadeia de supermercados alemã, Lidl. Em causa estão maus-tratos e abusos a animais por parte do maior fornecedor da empresa, cuja identidade não foi revelada. O vídeo, que foi partilhado nas redes sociais por uma Organização Não Governamental (ONG), mostra de forma explicita o sofrimento das galinhas e as más políticas do aviário.

“Como vivem as galinhas do Lidl?” Começa assim o vídeo que expõe a realidade dentro das quatro paredes da fábrica de produção do principal fornecedor do Lidl na Alemanha.

Através das imagens, concluiu-se que o sofrimento das galinhas começa um mês depois de nascerem. Os pintos mal se conseguem mexer e outros debatem-se para se levantarem do chão.

Isto acontece porque as galinhas crescem anormalmente e em poucas semanas. O objetivo é tornar as coxas e peito maiores, para que sejam vendidos nas lojas, revela a investigação da ONG Albert Schweitzer Foundation.

Os “frankenchickens” são galinhas transformadas, que apresentam um corpo desproporcional. Este problema vai, posteriormente, desencadear a deformação dos ossos, dores e, em casos mais graves, a morte por insuficiência cardíaca.

Criadas num ambiente apinhado às centenas, as galinhas tendem a contrair “stress permanente e tédio agonizante”, relata a Albert Schweitzer Foundation.

Algumas galinhas aparecem moribundas, doentes, com pescoços torcidos e atordoadas. Há ainda galinhas mortas no aviário devido a infeções ou outras doenças. No vídeo veem-se ainda algumas aves debicarem cadáveres.

A associação britânica de direitos dos animais, Humane League UK, juntamente com a ONG espanhola, Equalia, conseguiram expor a realidade daquilo que acontece antes de um produto chegar às prateleiras de um supermercado.

Neste caso, os membros da Equalia infiltraram-se numa quinta localizada na Baixa Saxónia, na Alemanha, e depararam-se inclusive com maus-tratos aos animais por parte de funcionários. Um dos funcionários pode ser visto a urinar no armazém.

Os animais são forçados a deitarem-se sobre os próprios excrementos e o stress a que estão expostos torna-os especialmente propensos a doenças, mas não recebem atendimento veterinário. Cerca de 5% sofrem mortes atrozes ou são mortos antes de atingirem a idade de abate.

Os detalhes da investigação foram publicados no site Lidl Chicken Scandal, pela ONG alemã, Albert Schweitzer Foundation. Os animais do fornecedor em causa são usados nos produtos das marcas Metzgerfrisch e Grillmeister do Lidl.

A Human League UK e a Albert Schweitzer Foundation estão a promover uma petição para exigirem ao Lidl o fim desta crueldade.

A REAÇÃO DO LIDL PORTUGAL

São estes produtos exportados para Portugal? As marcas associadas a este escândalo estão a ser comercializadas a nível nacional pelo Lidl? A empresa garantiu à SIC Notícias que a carne que está à venda em todas as lojas Lidl é 100% nacional”.

Mas, e apesar do Lidl Portugal não estar envolvido nesta investigação, a cadeia de supermercados assegura estar em contacto com o fornecedor específico, sem identificar qualquer dado a seu respeito, mas confirmando que abastece vários retalhistas no mercado europeu. O objetivo do contacto é apurar o que aconteceu (ou acontece).

A Lidl Portugal sublinha, na resposta escrita enviada à SIC Notícias, que uma das preocupações da empresa é o bem-estar animal, vincando que "condena veementemente os abusos demonstrados no vídeo”.

A empresa esclarece ainda que os fornecedores de frango do Lidl Portugal possuem certificação que “assegura aos consumidores que os animais viveram e foram abatidos em condições eticamente responsáveis de bem-estar”. Os fornecedores seguem os protocolos estabelecidos pelos projetos europeus Welfair Quality e AWIN (Animal Welfair Indicator).

WELFAIR QUALITY

A Welfair Quality é um projeto financiado pela UE que consiste em integrar o bem-estar animal na cadeia de qualidade alimentar. O projeto visa acomodar as preocupações da sociedade e as exigências de mercado para desenvolver sistemas fiáveis de monitorização na exploração, sistemas de informação sobre produtos e estratégias práticas específicas de espécies para melhorar o bem-estar animal, lê-se no site.

Os investigadores do projeto definem quatro princípios: bom alojamento, boa alimentação, boa saúde e comportamento adequado.

EUROPEAN CHICKEN COMMITMENT

O European Chicken Commitment (ECC) está focado em elevar os padrões de bem-estar animal no setor avícola e estabelecer os requisitos mínimos para as empresas darem um passo em frente na sensibilidade. As empresas que assinaram o acordo, comprometem-se a seguir os requisitos até 2026.

As medidas implicam a redução da densidade de frangos por metro quadrado, grandes melhorias na qualidade do ar, iluminação, poleiros e mudanças de frango de crescimento rápido para um crescimento lento, métodos mais humanos de atordoamento em abates.

Apesar de o Lidl Portugal não se ter comprometido com este acordo, a empresa diz acompanhá-lo e apoiar o objetivo da iniciativa, considerando porém que os “critérios globalmente padronizados (…) não são suficientemente compatíveis com as condições estruturais de enquadramento em Portugal”.

Neste sentido, o Lidl Portugal diz defender que o “desenvolvimento do bem-estar animal deve ser analisado em contexto nacional, tendo em conta requisitos legais e apoios estatais, iniciativas ou sistemas de rotulagem existentes”.

Ainda assim, na resposta à SIC Notícias disse estar “novamente em conversações com a ECC”, depois de um encerramento unilateral do debate, por parte dos representantes da ECC.

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