Mundo

Amnistia Internacional pede libertação de estudante nigeriano detido há 20 dias por tweet

Amnistia Internacional pede libertação de estudante nigeriano detido há 20 dias por tweet
Mikhail Pivikov / EyeEm
Estudante teria afirmado em junho na rede social que a mulher do Presidente Muhummadu Buhari "ganhou peso depois de comer o dinheiro do povo".

A Amnistia Internacional pede a libertação "imediata" de um estudante nigeriano preso há 20 dias por uma mensagem na rede social Twitter sobre a primeira-dama, segundo um comunicado da organização não-governamental (ONG) de direitos humanos.

Aminu Adamu Muhammed, um estudante de 23 anos da Universidade Federal de Dutse, no estado de Jigawa (norte da Nigéria) "foi detido em 08 de novembro de 2022 à meia-noite por agentes suspeitos de pertencerem ao DSS [segurança do Estado]", de acordo com a Amnistia Internacional.

Esta detenção segue-se a uma mensagem publicada no Twitter "considerada degradante para a primeira-dama da Nigéria, Aisha Buhari", especifica o comunicado da ONG.

Segundo vários meios de comunicação nigerianos, o estudante teria afirmado em junho na rede social que a mulher do Presidente Muhummadu Buhari "ganhou peso depois de comer o dinheiro do povo".

A Amnistia Internacional "condenou severamente" a detenção e pede a libertação "imediata" e "incondicional" de Aminu Adamu Muhammed.

A família e amigos afirmam que Aminu está detido incomunicável, que foi transferido para Abuja e "sujeito a espancamentos, tortura e outras formas de maus-tratos", acrescenta a nota.

Contactado pela a agência France-Presse, o DSS disse não ter detido a pessoa em questão e a polícia federal não respondeu ao pedido de comentário.

Detenções ilegais são uma realidade na Nigéria

As detenções ilegais são recorrentes na Nigéria, o mais populoso da África, que voltou a ter um regime democrático em 1999 após anos de ditaduras militares, mas onde as violações dos direitos humanos continuam a ser praticadas.

O Presidente Muhammadu Buhari, ex-líder militar na década de 1980, eleito democraticamente em 2015 e novamente em 2019, quando prometeu acabar com o "cancro da corrupção", está a terminar o segundo mandato sob uma chuva de críticas.

Em 25 de fevereiro de 2023, os nigerianos vão eleger o sucessor de Buhari, que terá de enfrentar imensos desafios já que o país, maior exportador de petróleo de África, está a afundar-se numa grave crise económica e de segurança.

Nos últimos anos, a administração de Buhari continuou a ser apontada por organizações de direitos humanos, em particular por violações da liberdade de expressão e opinião.

Muitos opositores e jornalistas foram detidos, as manifestações foram reprimidas de forma sangrenta e a rede social Twitter chegou a ser banida durante sete meses em 2021.

Últimas Notícias
Mais Vistos