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Vestígios do último tigre-da-Tasmânia encontrados no armário de um museu

Foto do último tilacino, vulgarmente conhecido como tigre-da-Tasmânia, noZoo de Hobart, na Tasmânia.
Foto do último tilacino, vulgarmente conhecido como tigre-da-Tasmânia, noZoo de Hobart, na Tasmânia.
Dave WATTS

Há mais de 80 anos que os restos mortais estavam à vista de todos, mas só agora foram identificados como sendo do animal extinto em 1936.

Durante décadas ninguém sabia onde se encontravam os restos mortais do último tilacino, marsupial vulgarmente conhecido como tigre-da-Tasmânia. Descobriu-se agora que, afinal, os vestígios estavam guardados num armário há 85 anos, no Museu e Galeria de Arte da Tasmânia.

Com um tamanho idêntico a um coiote, o tilacino é uma espécie considerada desaparecida há cerca de 2.000 anos, exceto na Tasmânia, onde o predador terá vivido até 1936, desempenhando um papel relevante no ecossistema da ilha, embora odiado pela população.

Quando os europeus chegaram à Tasmânia, no século XIX, responsabilizaram o tilacino por perdas de culturas e gado, fundamentais para a sobrevivência humana. O animal, que vivia fundamentalmente à noite, começou a ser perseguido e em poucas décadas foi extinto.

O último tilacino de que há registo foi uma fêmea, capturada e vendida ao Jardim Zoológico em maio de 1936, de acordo com informação divulgada esta segunda-feira pelo Museu e Galeria de Arte da Tasmânia.

O animal acabou por morrer alguns meses mais tarde, e o corpo do último tilacino da Tasmânia foi levado para o Museu, mas o Zoo não guardou registos da venda por se tratar de um processo ilegal, dado que a fêmea tinha sido entregue por um caçador que poderia enfrentar uma multa pesada se o caso fosse divulgado, refere o comunicado.

Investigadores descobriram agora que os restos mortais do último tilaciono se encontravam no Museu, guardados num armário. Os responsáveis da instituição desconheciam que possuíam esses vestígios.

Os restos mortais deste tigre-da-Tasmânia integraram uma exposição itinerante que foi levada á austrália, mas a equipa desconhecia que este era o último tilacino que viveu na ilha, explicou a curadora do Museu, Kathryn Medlock, em entrevista à Australian Broadcasting Corporation (ABC).

Cientistas querem "ressuscitar" tigre-da-Tasmânia

Uma equipa de cientistas da Universidade de Melbourne está a estudar a possibilidade de “ressuscitar” o marsupial. O projeto surgiu quase 90 anos depois da extinção e graças a uma doação de quase cinco milhões de euros.

Intitulado de TIGRR (sigla em inglês para Laboratório de Investigação e Restauração Genética Integrada de Tilacinos), o projeto pretende que a espécie seja recriada utilizando células estaminais e tecnologia de edição de genes, o que tornaria possível libertar na natureza o primeiro tilacino num espaço de 10 anos.

Para que tal venha a ser possível, os investigadores irão utilizar os genes de uma espécie de marsupial existente, o dunnart. Durante os próximos anos, os cientistas pretendem, em primeiro lugar, transformar as células de um dunnart em células de um tigre-da-Tasmânia. Posteriormente será gerado um embrião, numa placa de petri ou no ventre de uma fêmea de uma outra espécie de marsupial. Se a fêmea der à luz com sucesso, o processo irá ser repetido até haver um número significativo de exemplares que possam, posteriormente, ser libertados na natureza.

Divulgadas imagens coloridas do último tigre-da-Tasmânia em cativeiro

O Arquivo Nacional de Filme e Som da Austrália divulgou em maio de 2020 imagens inéditas daquela que terá sido a última filmagem de um tigre-da-Tasmânia.

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