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Desaparecimento de Émile: Le Vernet, a aldeia de 200 habitantes que se sente "amaldiçoada"

O desaparecimento do menino, de apenas dois anos e meio, reavivou duras recordações para a população, que nos últimos 15 anos assistiu a um brutal homicídio e a um desastre aéreo que fez 150 mortos.

Destroços do avião da Germanwings que se despenhou nos Alpes franceses, em março de 2015, por ação deliberada do copiloto, levando para a morte 150 pessoas
Destroços do avião da Germanwings que se despenhou nos Alpes franceses, em março de 2015, por ação deliberada do copiloto, levando para a morte 150 pessoas
Yves Malenfer/ASSOCIATED PRESS

“Estamos amaldiçoados”. O desabafo vai sendo feito, por estas e outras palavras, à imprensa francesa. Entre os cerca de 200 habitantes (ou menos) de Le Vernet, nos Alpes franceses, há quem assim pense depois de, nos últimos 15 anos, terem assistido a duas tragédias. Agora, muitos ainda esperam ver um desfecho feliz para mais uma história que colocou a aldeia no mapa mediático: o desaparecimento de Émile, de apenas dois anos e meio.

Émile foi visto pela última vez na tarde de sábado, em Haut Vernet, que dista pouco menos de dois quilómetros da aldeia. A localidade é formada praticamente por uma única rua, composta por pouquíssimas casas e ainda menos habitantes - serão cerca de 20 moradores. O menino estava com a família, que há cerca de duas décadas ali passa as férias.

Copiloto despenha avião e mata 150 pessoas

Todo o aparato gerado pelas buscas reavivou memórias do desastre aéreo de março de 2015. Um avião da Germanwings despenhou-se naquela área, levando à morte de 150 pessoas, incluindo dois bebés.

A investigação acabaria por revelar que não se tratou de um acidente, mas sim de um ato deliberado do próprio copiloto da aeronave, o alemão Andreas Lubitz. O voo fazia a ligação entre a cidade espanhola de Barcelona e Düsseldorf, na Alemanha.

A população de Le Vernet, que se encontrava a cerca de 16 quilómetros do local do desastre, acabou por se voluntariar para apoiar as autoridades durante as diligências e até acolher familiares das vítimas, que regressam todos os anos para homenagens.

Um brutal homicídio, que ninguém consegue esquecer

Anos antes, em outubro de 2008, a pacatez da aldeia foi estilhaçada por um homicídio. Jeannette Grosos, de 68 anos e gerente do Café du Moulin, foi brutalmente assassinada à pancada, dentro do próprio estabelecimento.

O autor do crime tinha apenas 21 anos. Geoffroy era cliente do café e habitualmente pedia boleias aos moradores para se movimentar na região, sem que até então fosse reportado qualquer episódio de violência. A população ficou em choque, tanto pela violência do crime, como pelo seu autor, que sofreria de esquizofrenia, e pela morte prematura de uma mulher que era “a bondade em pessoa”.