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Descoberto o mais brilhante dos objetos mais brilhantes do Universo

Astrónomos identificam o quasar que não só é o mais brilhante do seu tipo, mas é também o objeto mais luminoso alguma vez observado.

Ilustração do quasar J059-4351, o núcleo brilhante de uma galáxia distante que está a ser alimentado por um buraco negro supermassivo.
Ilustração do quasar J059-4351, o núcleo brilhante de uma galáxia distante que está a ser alimentado por um buraco negro supermassivo.
ESO/M. Kornmesser

Como aquele amigo sempre animado que é a “alma” da festa, este quasar destaca-se como o centro das atenções no céu estrelado. Com uma energia inesgotável, ele domina a pista de dança cósmica com sua luz deslumbrante, tornando-se o objeto mais luminoso alguma vez observado.

Numa descoberta que desafia a escuridão do espaço, astrónomos revelaram um quasar com luminosidade sem precedentes, que bate recordes cósmicos. Este objeto ultraluminoso, apelidado de J0529-4351, foi captado a dançar na escuridão do cosmos graças ao poderoso Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO).

Como o DJ cósmico desta festa estelar, o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO), equipado com o espectrógrafo X-shooter, conseguiu “ver” até ao coração deste quasar superestrela, revelando seus segredos e mistérios.

O quasar J0529-4351 está tão longe da Terra que a sua luz demorou mais de 12 mil milhões de anos a chegar até nós.

Buraco negro com o crescimento mais rápido

Os quasares são os núcleos brilhantes de galáxias distantes, alimentados por buracos negros supermassivos.

Com uma massa colossal de 17 mil milhões de sóis, o buraco negro que alimenta este quasar consome matéria a um ritmo estonteante, equivalente a um Sol por dia, o que faz dele o buraco negro com o crescimento mais rápido descoberto até à data.

"Descobrimos o buraco negro de crescimento mais rápido encontrado até à data. Este objeto tem uma massa de 17 mil milhões de sóis e consome pouco mais de um sol por dia, o que o torna o objeto mais luminoso do Universo conhecido”, afirma Christian Wolf, astrónomo da Universidade Nacional Australiana (ANU) e autor principal do estudo publicado hoje na revista Nature Astronomy.

Os buracos negros que alimentam os quasares retiram matéria do meio que os rodeia por um processo tão energético que faz com que o objeto emita enormes quantidades de luz. É por isso que os quasares são dos objetos mais brilhantes do nosso céu, sendo que mesmo os mais distantes são visíveis a partir da Terra. Regra geral, os quasares mais luminosos indicam os buracos negros supermassivos com o mais rápido crescimento, explica o ESO.

A matéria que está a ser puxada em direção ao buraco negro, sob a forma de um disco, emite tanta energia que faz com que o J0529-4351 seja mais de 500 biliões de vezes mais luminoso do que o Sol

"Toda esta luz vem de um disco de acreção quente que mede sete anos-luz de diâmetro — este deve ser o maior disco de acreção do Universo", diz o co-autor do artigo Samuel Lai, estudante de doutoramento da ANU.

Sete anos-luz correspondem a cerca de 15 000 vezes a distância do Sol à órbita de Neptuno.

A descoberta e o estudo de buracos negros supermassivos distantes poderá esclarecer alguns dos mistérios do Universo primordial, incluindo a forma como estes e as suas galáxias hospedeiras se formaram e evoluíram.

Ao ritmo de "Dancing in the Dark" de Bruce Springsteen, este quasar e a sua dança cósmica lembra-nos que há uma diversão infinita para quem tem a curiosidade em explorar os segredos do Universo.