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Estado palestiniano: "De algum modo, Netanyahu está abrir a porta a essas negociações"

Ricardo Alexandre, jornalista da TSF e comentador SIC, realça a declaração de Benjamin Netanyahu que referiu que, a acontecer um acordo para o estabelecimento de um Estado palestiniano, isso terá de vir de conversações diretas entre as partes. Na guerra da Rússia contra a Ucrânia, refere qual a importância de Avdiivka para as duas partes.

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Israel ameaça lançar a ofensiva em Rafah até ao Ramadão, a 10 de março, caso todos os reféns israelitas não sejam libertados. O gabinete de guerra de Benjamin Netanyahu garante que a escolha é do Hamas, aconselha o grupo a render-se para que os 1,4 milhões de palestinianos refugiados na cidade possam celebrar o mês sagrado para os muçulmanos.

Este ultimato acontece depois de um fim de semana de intensos combates na Faixa de Gaza. Em Khan Younis, o hospital Nasser, o segundo maior de Gaza, está totalmente fora de serviço depois de um cerco de vários dias. A pressão da comunidade Internacional aumenta mas Netanyahu tem reagido “da forma habitual, com intransigência”, refere o comentador da SIC.

Ricardo Alexandre salienta que, no entanto, “há alguma alguma abertura. Há uma declaração de ontem feita no parlamento israelita pelo primeiro-ministro depois de uma reunião do executivo, que diz que Israel rejeita qualquer tentativa de imposição de uma declaração unilateral de independência de um Estado palestiniano, dizendo que há vozes na comunidade Internacional que estão a pressionar nesse sentido para que nos próximos meses o Estado palestiniano possa ser reconhecido”.

“Israel faz questão de dizer que rejeita essa unilateralidade, mas que a acontecer um acordo para o estabelecimento de um Estado palestiniano, isso terá de vir de conversações diretas entre as partes, ou seja, de alguma de algum modo, Netanyahu está abrir a porta a essas negociações".

"A fórmula encontrada seria a possibilidade de reconhecimento de um Estado palestiniano independente, mas desmilitarizado", diz Ricardo Alexandre.

No terreno, a pressão sobre Rafah aumenta depois de Israel ter conseguido ganhos significativos do ponto de vista militar em Khan Younis.

“Estará já a controlar militarmente de uma forma completa Khan Younis, colocando colocando bastante dificuldades ao Hamas, cujo reduto estará agora apenas na cidade de Rafah, que fica junto à fronteira com o Egito”.

Rússia diz controlar último reduto da resistência ucraniana em Avdiivka

A Rússia diz ter o controlo total da fábrica onde estavam barricados alguns soldados ucranianos em Avdiivka, no leste da Ucrânia.

Avdiivka é uma pequena cidade, não deixa de ser uma vitória simbólica para a Rússia, foi a primeira grande conquista territorial russa desde Bakhmut em maio do ano passado. (…) Do ponto de vista estratégico, para a Ucrânia, perder Avdiivka pode não significar muito”.

Avdiivka é uma pequena cidade, tinha 30.000 habitantes antes do do início da guerra, estarão agora lá 900 pessoas, não sabe propriamente em que condições e a sobreviver como, uma vez que há bombardeamentos intensos desde outubro.

Desde outubro até agora, as forças russas conseguiram avançar cerca de 10 km e conquistaram Avdiivka. “Sendo uma região de planícies, é natural que ainda consigam progredir algo mais, para Donetsk, a grande cidade daquela daquela região, mas que está ainda a 60 km e a Rússia também perdeu muitos homens.”

Donetsk será o objetivo da Rússia, “mas obviamente que vai demorar muito tempo, muitos meses”.

“Se a situação no terreno a progredir neste ritmo, se demoraram 3/4 meses para progredir 10 km e conquistar Avdiivka, para avançar mais 60 km pode demorar muitos meses e isso seria uma batalha, obviamente, de outra de outra dimensão, de outra magnitude”.