A cimeira de paz na Suíça terminou sem unanimidade, uma vez que doze países não assinaram a declaração final. Assim sendo, ficou a intenção de se realizar outro encontro com a Rússia presente.
No entanto, de acordo com a correspondente da SIC, Iryna Shev, os analistas do Instituto para o Estudo da Guerra acreditam que "a Federação Russa não está interessada em negociações de boa-fé sobre a paz na Ucrânia".
Condições de Moscovo rejeitadas pela Ucrânia, pelos Estados Unidos e pela NATO
Um dia antes da cimeira para a Paz na Ucrânia que aconteceu este fim de semana na Suíça e onde foi reforçado o apoio do Ocidente a Kiev, Vladmir Putin prometeu ordenar imediatamente um cessar-fogo na Ucrânia e iniciar negociações se Kiev começasse a retirar as tropas das quatro regiões anexadas por Moscovo em 2022 e renunciasse aos planos de adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês).
As reivindicações constituem uma exigência de facto para a rendição da Ucrânia, cujo objetivo é manter a sua integridade territorial e soberania, mediante a saída de todas as tropas russas do seu território, além de Kiev pretender aderir à aliança militar.
As condições colocadas por Moscovo foram rejeitadas de imediato pela Ucrânia, pelos Estados Unidos e pela NATO.
No fim da cimeira, Zelensky afirmou que a Rússia e os seus líderes "não estão preparados para uma paz justa". Em conferência de imprensa, o chefe de Estado garantiu que a Rússia pode negociar a paz "amanhã, se se retirar" do território ucraniano.
Esta foi uma ideia defendida no conjunto da maioria dos Estados participantes. Mais de 80 países, incluindo os da União Europeia, Estados Unidos da América, Japão, Argentina, Somália e Quénia assinaram um comunicado final que "reafirma a integridade territorial" ucraniana e pede que "todas as partes" estejam envolvidas para se alcançar a paz.
"Acreditamos que alcançar a paz exige a participação e o diálogo entre todas as partes", aponta a declaração.
"Decidimos, portanto, tomar medidas concretas no futuro para envolver representantes de todas as questões mencionadas neste comunicado final", acrescenta-se no documento, defendendo a aplicação da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) e do direito internacional para "uma paz duradoura e justa".
Os signatários pediram ainda que as instalações nucleares ucranianas sejam retiradas do conflito e que as outras instalações devem funcionar de maneira segura e protegida.
Pediram também uma navegação comercial "livre, plena e segura e o acesso aos portos marítimos e dos mares Negro e Azov", e condenaram os ataques a navios mercantes nos portos.
"A segurança alimentar não deve ser transformada numa arma de qualquer tipo. Os produtos agrícolas ucranianos devem ser entregues de forma segura e gratuita aos países terceiros interessados", acrescentaram.
Entre os países presentes que não assinaram o comunicado estão os Estados-membros do BRICS
Mais de dois anos depois de Moscovo iniciar a invasão, o problema para alcançar um acordo de paz é, para a Presidente da Suíça e anfitriã da cimeira, Viola Amherd, "como e quando envolver a Rússia".
Por sua vez, o chefe de Estado ganês, Nana Akufo-Addo, afirmou que é preciso "encontrar uma forma de permitir" que tanto Rússia como China -- que também não esteve na cimeira -- "participem nestas deliberações".
Pequim optou por não estar presente devido à ausência de Moscovo, mas Zelensky garantiu que a Ucrânia "não é inimiga" da China. "A Ucrânia tem apenas um inimigo: Putin", sublinhou.
Entre os países presentes que não assinaram o comunicado estão os Estados-membros do BRICS, um bloco de países composto por Brasil, Índia e África do Sul, bem como pela China e pela Rússia.
Também não assinaram o comunicado Arménia, Barém, Indonésia, Líbia, Arábia Saudita, Tailândia, Emirados Árabes Unidos e México.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, admitiu que a cimeira não foi uma negociação de paz e que há um caminho a percorrer até esta ser alcançada "porque Putin não está a falar a sério sobre o fim da guerra".
Segundo Zelensky, depois da cimeira serão realizadas reuniões a nível técnico e ministerial, antes de uma segunda cimeira de paz "para pôr fim a esta guerra e obter uma paz justa e duradoura".
Apesar das maiores dificuldades militares, o Presidente vincou que não é por a Ucrânia estar mais fraca que se está a falar em paz.
Com Lusa
