Foi há um mês e as carcaças dos automóveis permanecem empilhadas. Com as cicatrizes da catástrofe a cada esquina, um dia atrás do outro, os habitantes encontram forças para manter rotinas. Mesmo com o exército no terreno, as tarefas de limpeza e reconstrução vão arrastar-se no tempo.
A devastadora gota fria gerou um onda de solidariedade que também se demora.
As chuvas torrenciais despejaram 770 litros por metro quadrado em apenas 24 horas. Casas térreas e garagens converteram-se em armadilhas fatais e ainda que a água já não seja uma ameaça há quem tema os danos e estragos a longo prazo.
Paiporta foi uma das localidades designadas como zona de impacto das cheias repentinas. Só aqui morreram 45 pessoas. O número mais elevado de vítimas de todos os municípios afetados.
A poderosa DANA expôs a vulnerabilidade das populações que vivem em zonas ribeirinhas e o fenómeno tende a repetir-se. Os peritos exortam as autoridades a melhorar o planeamento urbano, a atualizar os mapas de risco e a intervir nas bacias hidrográficas.