Até parece uma travessia do deserto, só que esta extensão de areia é o leito de um rio, grande afluente do amazonas, maior rio em caudal do mundo. No Manaca-puru, norte do Brasil, Manuel de castro costumava fazer este caminho de barco.
"A seca está grande e [o rio] está cada vez mais seco", conta Manuel.
O rio Solimões está reduzido a isto e as comunidades piscatórias da região estão sem alimento, água ou transporte. Têm pouco mais que carcaças para mostrar.
Não é preciso ser cientista do clima para perceber que 2024 é o mais quente dos últimos dez anos. Mas os cientistas confirmam os alertas de há 12 meses: é o mais quente desde que há registo, há 170 anos.
Os incêndios alastraram em número alarmante em várias zonas do globo e os fenómenos atmosféricos castastróficos aumentaram em quantidade e grau de devastação. As últimas piores calamidades climatéricas, desde lugares longínquos até valência, aqui mesmo ao lado, têm efeitos devastadores para as populações.
Acontecem desde que o calor extremo, acima dos 40 graus, se prolonga por mais tempo. O mapa ilustrado da temperatura do planeta, fornecido pela Nasa, mostra a evolução desde 1880, em que a terra ainda se sentia friamente azul. Nos últimos 20 anos, o vermelho está a tomar conta do globo.
As catástrofes naturais custaram, em todo o mundo, mais de 290 mil milhões de euros em 2023. É mais que a riqueza que Portugal produz num ano. O calor extremo pode custar à economia global mais de 2 biliões de euros até 2030.
Os icebergs são um símbolo do problema: apenas se vê uma pequena parte e agora sabemos: a maior luta da humanidade no futuro será consequência do aquecimento global do planeta. E este futuro não é amanhã. Já está a acontecer.
