A máscara amarela Zaouli parece sorrir, à espera. Só quando o ritmo dos tambores enche o ar, o dançarino Zaouli avança. A dança é exigente. O tronco deve ficar quieto, apenas pés e pernas se movem. E os movimentos nunca devem ser repetidos. A dança Zaouli, tradicional da Costa do Marfim, é uma das que se apresenta no Festival de Máscaras do Benim, em Porto Novo.
Antes, por respeito, ninguém via o rosto por detrás da máscara, considerada sagrada. Mas agora, Oscar não resiste.
"Desde que comecei a usar esta máscara Zaouli, em 2021, houve uma grande mudança na minha vida. Foi graças a esta máscara que vim até ao Benim. E graças a esta máscara, voei até Marrocos e muitos outros lugares", afirmou o dançarino Oscar Ue-Bi.
Oscar Ue-Bi deixou o trabalho como soldador para começar a treinar e lançar-se na nova carreira. Pode demorar uns bons anos a aprimorar a técnica e o ritmo. A família de Oscar não aprovou, ao princípio, até ver que a máscara dá mais dinheiro que um emprego convencional, até para o assistente que acompanha sempre o dançarino Zaouli.
"Normalmente, quando os Zaoulis dançam, há sempre duas pessoas. Tem de haver alguém a acompanhar o Zaouli. Para que o Zaouli possa descansar, eu apresento comédia, comédia musical. E depois os Zaoulis continuam, é por isso que estou aqui", explicou o assistente Noel Toho Bi Irie.
A dança é feita em funerais e outras celebrações importantes. As máscaras representam espíritos ancestrais que guardavam as comunidades e ligavam os vivos ao mundo espiritual. Com raízes na herança vodu do Benim e no Festival do Vodu de Ouidáh, em janeiro, a festa de Porto Novo é uma estratégia para continuar a promover o turismo cultural do país, ao que parece, com bons resultados.
"Acho que isto junta toda a gente, de todos os lados, e é isso que acho bonito neste momento. Acho importante, no mundo em que vivemos, que haja algo que nos una. E aqui, através da dança, é uma linguagem universal, e é isso que sentimos", afirmou a turista Virginie Anou Pomares.
Numa costa de onde partia o tráfico transatlântico de escravos, a cultura vodu sobreviveu. No século XXI, com participantes vindos do Benim, Nigéria, Togo, Costa do Marfim, o festival quer ser celebração da herança cultural da África Ocidental.