Existem mais de 50 milhões de perfis de 'influencers' online, muitos sem limites para alcançarem o maior número de seguidores possível e garantirem mais audiência nos seus vídeos. Mas o que os move? O tema esteve em análise na antena da SIC Notícias.
Tito de Morais, cofundador do projeto 'Agarrados à Net' afirma que são "vários os fatores", sendo o fator financeiro um deles, mas não o único.
"A validação perante terceiros, o facto de serem designados 'influencers', como referências muitas vezes para milhares de pessoas", ou mesmo milhões, dependendo do tipo de conteúdo, são algumas das razões "que levam as pessoas a praticar estes atos".
O especialista em segurança online de crianças e jovens recorda que o "algoritmo está feito" também para dar destaque a conteúdos "fraturantes e polémicos". Também o "número de likes e seguidores é uma medida de validação" para os jovens.
Já Tânia Gaspar, psicóloga, analisa a temática apontando que muitas destas pessoas, os 'influencers', têm "dificuldades a nível da própria saúde mental e têm muita dificuldade em medir, ou avaliar, e ter empatia e reconhecer as consequências do que estão a fazer".
Além disso, estes conteúdos não estarem regulados também é uma lacuna que precisa de ser resolvida dada a dimensão e alcance que estes atingem.
"Por um lado temos as pessoas que os publicam, seria interessante estudar a saúde mental das pessoas que fazem as publicações, mas por outro lado temos as pessoas que assistem. O que se verifica - por exemplo, naquele caso brasileiro das crianças - é que, muitas vezes, são as pessoas mais desfavorecidas, quer por uma questão económica, quer por uma questão de literacia, que acabam por ficar mais afetadas", dá conta Tânia Gaspar.
Em termos de direito, Patrícia Santos Ferreira, advogada, considera que a informação e conteúdos colocados na internet é "descontrolada" e, nesse âmbito, surgem sempre "crimes subjacentes a esta disseminação [descontrolada]" cuja origem nem sempre é fácil de identificar.
"Há uma certa impunidade no meio disto tudo porque se estiver num servidor fora [do país] é muito difícil perceber de onde vem [o conteúdo]", aponta a advogada.
