A defesa de Jair Bolsonaro afirma que não há "uma única prova" que ligue o ex-Presidente brasileiro a qualquer tentativa de golpe de Estado e considera que o arguido delator "mentiu".
"Ele não atentou contra o Estado Democrático de Direito", afirmou Celso Vilardi.
"Não há uma única prova, uma única prova", sublinhou o advogado, na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.
O advogado frisou que "não há uma única prova que atrele o [ex-] Presidente ao Punhal Verde e Amarelo, à Operação Luneta e ao 08 de janeiro", referindo-se a um documento (Punhal Verde Amarelo) que previa o assassínio de autoridades como o agora Presidente brasileiro, Lula da Silva, e o juiz relator do processo, Alexandre de Moraes.
Celso Vilardi referiu-se também à Operação Luneta, uma planilha que detalhava as análises de risco e as táticas para prosseguir com um alegado golpe.
Bolsonaro não tem "absolutamente nada com o 08 de janeiro", disse, referindo-se à data na qual milhares de radicais atacaram e invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília com o objetivo de destituir Lula da Silva e forçar um golpe de Estado.
"A denúncia [acusação] está baseada num general que imprime" um documento no Palácio da Alvorada, residência oficial do Presidente brasileiro, disse o advogado, que questionou ainda o acesso que a defesa teve às provas.
"Não conheço as provas todas", afirmou, questionando depois a delação de Mauro Cid, ex-assessor de Bolsonaro, peça crucial da acusação, e que, segundo Celso Vilardi, não é "confiável" por ter alterado várias vezes os seus depoimentos.
"Omissão ou contradição é algo que deve anular a colaboração", declarou.
Falando de seguida, Paulo Cunha Bueno, também advogado de defesa de Bolsonaro, afirmou que "a absolvição do ex-Presidente Bolsonaro é imperativa" e que, "em momento algum", este "deu início aos protocolos para convocação dessas medidas excecionais".