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Ataque em Manchester: uma das vítimas mortais pode ter sido baleada pela polícia

A informação foi avançada pela Polícia de Manchester, que indica que o atacante não tinha nenhuma arma de fogo. Em comunicado, lamentam a situação e dizem que foi uma consequência trágica e imprevisível, resultado de uma ação urgente para terminar com o ataque o mais rápido possível. Mesmo assim, será feita uma análise forense mais detalhada.

Ataque em Manchester: uma das vítimas mortais pode ter sido baleada pela polícia
Phil Noble

Um dos dois homens que morreu no ataque em Manchester pode ter sido baleado pela polícia. A informação está a ser avançada pelas autoridades que, em comunicado, esclarecem que uma das vítimas tinha "uma ferida compatível com um ferimento de bala", mas que o suspeito "não estava na posse de uma arma de fogo". 

"Acredita-se atualmente que o suspeito, Jihad Al Shamie, não estava na posse de uma arma de fogo e que os únicos tiros disparados foram pelos agentes autorizados da GMP, enquanto tentavam impedir o agressor de entrar na sinagoga e causar mais danos à nossa comunidade judaica", pode ler-se no comunicado da polícia de Grande Manchester. 

Acrescentam, ainda, que "consequentemente, e sujeito a uma análise forense mais aprofundada, este ferimento pode, infelizmente, ter sido sofrido como uma consequência trágica e imprevista da ação urgentemente necessária tomada pelos meus agentes para pôr fim a este ataque violento". 

As balas terão atingido, também, uma das três pessoas que ficou ferida, e que se encontra a receber tratamento hospitalar, mas não corre risco de vida. "Acredita-se que ambas as vítimas estavam próximas uma da outra atrás da porta da sinagoga, enquanto os fiéis agiram corajosamente para impedir o agressor de entrar."

Reino Unido em alerta máximo após ataque em mesquita de Manchester

As vítimas mortais, Adrian Daulby, 53 anos, e Melvin Cravitz, 66, eram membros da comunidade judaica de Manchester e residiam no bairro onde se situa a sinagoga de Heaton Park. Outras três ficaram feridas - uma por ferimento de bala, outra por atropelamento e, a terceira, por esfaqueamento.  

Os três suspeitos, dois homens com cerca de trinta anos e uma mulher com cerca de sessenta, foram detidos e colocados sob custódia policial, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

Desde o ataque, as autoridades reforçaram a segurança junto aos locais de culto e outros espaços comunitários judaicos. O Reino Unido está esta sexta-feira em alerta máximo de forma a garantir a segurança da comunidade judaica. 

"Estamos em estado de alerta máximo", declarou hoje de manhã a ministra do Interior, Shabana Mahmood, à estação de televisão britânica Sky News. O Governo "quer que a população se sinta em segurança (...) e as pessoas verão uma presença policial reforçada", acrescentou Mahmood, que esteve no local do atentado na quinta-feira à noite.

Membros da comunidade judaica de Manchester, uma das mais importantes do Reino Unido, manifestaram-se preocupados com a segurança. "É inacreditável, mas ao mesmo tempo sabíamos que era algo que podia acontecer. Toda a gente na comunidade tem consciência disso", disse à AFP Alex, um empresário de 31 anos que frequenta a sinagoga de Heaton Park.

Aryeh Ehrentreu, 56 anos, que frequenta outra sinagoga no mesmo bairro, afirmou que o antissemitismo se tornou "mais frequente", sobretudo desde o ataque do Hamas em Israel, em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza.

O grande rabino do Reino Unido, Ephraim Mirvis, deverá deslocar-se durante o dia a Manchester, onde o dispositivo policial em torno da sinagoga enlutada permanecia ativo hoje de manhã.

"É um momento muito sombrio, não apenas para os judeus do Reino Unido, mas para toda a sociedade", declarou o rabino à estação britânica BBC.

Agressor chegou ao Reino Unido em 2006

O primeiro-ministro, Keir Starmer, reconheceu que o país tem de vencer um antissemitismo em crescimento. Starmer visitou uma sinagoga em Londres ao final do dia, acompanhado da esposa, ela própria de confissão judaica, segundo meios de comunicação britânicos.

O agressor chegou ao Reino Unido quando criança e obteve a nacionalidade britânica em 2006, ainda menor de idade. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, condenou um "ataque bárbaro" e a diplomacia de Telavive acusou Londres de não ter conseguido travar a ascensão do antissemitismo.

Neste contexto, a ministra Shabana Mahmood disse estar desapontada por os organizadores de manifestações pró-palestinianos previstas para o fim de semana não as terem cancelado.

"Acho isso desonroso. Poderiam ter demonstrado contenção e concedido a uma comunidade profundamente enlutada um ou dois dias para assimilar o que aconteceu", afirmou Mahmood.

"Não há dúvida de que os acontecimentos no Médio Oriente suscitam grande preocupação, mas a nossa prioridade é garantir que os nossos cidadãos aqui, em casa, estão em segurança", reiterou.

A polícia de Londres deteve 40 pessoas na quinta-feira à noite durante um ajuntamento de apoio à flotilha para Gaza. Pediu ainda aos organizadores de uma manifestação prevista para sábado que a cancelassem, o que estes recusaram.

- Com Lusa