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E agora, França? Os três cenários em cima da mesa após a queda do primeiro-ministro

A demissão de mais um primeiro-ministro vem aprofundar a crise que tem assolado a França no último ano e meio. A bolsa de valores teve uma queda imediata e também o valor do euro foi afetado. Os mercados estão inseguros, já que não se conhece o futuro político francês. O que se segue para a França?

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A tomada de posse do novo Governo francês, o terceiro no país em apenas um ano, deveria acontecer esta manhã. No entanto, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu renunciou, esta segunda-feira, ao cargo, 27 dias depois de ter sido nomeado. É o chefe de Governo que menos tempo aguentou no poder, em toda a história moderna de França. 

Lecornu – de 39 anos, e que antes era ministro da Defesa - alegou que "não estão reunidas" condições para governar, dando como justificação o apetite "partidário" de certas formações políticas (que não gostaram do elenco do novo Governo francês). Ainda assim, o presidente Emmanuel Macron pediu ao primeiro-ministro demissionário que negociasse com os partidos políticos, numa tentativa de encontrar uma solução de estabilidade para o país. Tem até quarta-feira para fazê-lo. 

A tarefa não será fácil, uma vez que, desde as eleições convocadas por Macron em 2024, o parlamento francês ficou extremamente fragmentado. Está agora dividido entre três grandes blocos, sem que nenhum chegue perto de uma maioria clara: a esquerda, a extrema-direita e a aliança de centro-direita do próprio Macron. 

Novo primeiro-ministro, novo parlamento ou novo presidente

Mediante esta conjuntura, há agora três cenários possíveis para o futuro da França, em caso de falhanço das conversações levadas a cabo por Sébastien Lecornu até quarta-feira. 

O primeiro cenário passa pela nomeação de um novo chefe de Governo, pelo presidente Emmanuel Macron. Poderá ser um nome mais à esquerda, uma vez que as últimas opções, vindas da sua área política, não se aguentaram no Executivo por muito tempo. No entanto, optar por um nome socialista pode pôr em causa a reforma das pensões, que muito lhe custou a conquistar. Já a hipótese de nomear um nome declaradamente de direita não cairá bem junto do bloco da esquerda. É por isso que uma das hipóteses em cima da mesa pode ser apostar num tecnocrata sem filiação partidária. 

A segunda hipótese é dissolver a assembleia francesa e convocar novas eleições. Uma ideia que tem sido frequentemente rejeitada por Macron – e que, segundo as sondagens, podia voltar a resultar num parlamento dividido, ou até mesmo numa maior força da extrema-direita, como espera Marine Le Pen. 

Já o terceiro cenário - o menos provável, face à resistência do presidente francês às críticas - será a demissão do próprio Emanuel Macron. 

O primeiro efeito da nova machadada na situação política em França foi sentido logo esta manhã, nos mercados financeiros. O índice francês na bolsa caiu a pique antes mesmo da abertura, por causa da demissão de Lecornu. A zona euro teme que a segunda maior economia esteja ingovernável, incapaz de manter um governo e aprovar um orçamento.