A "Rapariga de Ninguém" é a tradução do título do livro, que se explica na capa como memória da sobrevivência ao abuso e da luta pela justiça.
Virginia Giuffre faz parte de uma certa memória coletiva, numa fotografia em que tem 17 anos e está ao lado do príncipe André, com quem garante ter tido relações sexuais quando era menor.
Virginia diz também que o britânico era um dos centenas de homens que pagavam a Epstein e à companheira Maxwell para ter relações sexuais com menores emocionalmente frágeis, atraídas para uma rede de tráfico e abuso de seres humanos.
O livro conta a vida de Virginia Giuffre numa espécie de diário do horror, desde o abuso por parte de um familiar na infância ao recrutamento para a rede em Mar-a-Lago, o condomínio de luxo onde Virginia começou a trabalhar como baby-sitter e assistente de spa.
Lembra-se do dia em que Ghislaine Maxwell a seguiu pelo resort e em que teve noção de que a predadora de rapina estava a apertar o cerco. Recorda também a primeira massagem que deu a Jeffrey Epstein, que acabou em sexo indesejado, altura em que optou por ser submissa e determinada em sobreviver ao homem que considera ter sido sempre um mestre da manipulação.
Sobre o dia em que lhe disseram que ia ter um encontro com um verdadeiro príncipe, Virginia escreve que André não a maltratou durante o ato, mas que o fez como se acreditasse que fazer sexo com ela fosse um direito seu de nascença.
Virginia decidiu que a sua própria vida terminava aos 41 anos. Seis meses depois do suicídio, fica o relato de tudo o que considera dever ser exposto.