Os deputados alemães acusaram esta quarta-feira o partido de extrema-direita AfD de abrigar uma "célula adormecida pró-Rússia" e de utilizar procedimentos parlamentares para fornecer informações sensíveis a Moscovo, acusações que este rejeitou sem as abordar especificamente.
Em outubro, o partido Alternativa para a Alemanha (AfD), a principal formação da oposição, foi criticado pelas suas perguntas parlamentares "problemáticas" sobre as infraestruturas fundamentais do país e as Forças Armadas, alegando-se que visavam obter informações confidenciais para transmitir a Moscovo.
A pedido dos conservadores da União Democrata-Cristã (CDU/CSU) e do Partido Social-Democrata (SPD), membro da coligação governamental, o Bundestag (câmara baixa do parlamento alemão) debateu esta quarta-feira o "impacto das relações do AfD com a Rússia nos interesses de segurança da Alemanha".
As perguntas parlamentares do AfD incidem minuciosamente sobre o fornecimento de armas à Ucrânia, as centrais elétricas, a produção de drones ou ainda as bases das Bundeswehr (Forças Armadas alemãs), enumerou o presidente da comissão de supervisão dos serviços secretos, Marc Henrichmann.
"O que é que estas questões pormenorizadas têm que ver com o trabalho parlamentar? Um Estado inimigo não gostaria de saber exatamente isso sobre os seus inimigos? Penso que sim", denunciou o deputado conservador.
"As ligações com o Kremlin não podiam ser mais estreitas", prosseguiu, falando de uma "célula adormecida pró-Rússia" dentro do partido de extrema-direita alemão AfD e referindo vários membros que alegadamente dela fazem parte.
AfD rejeita acusações
O partido acusado rejeitou as acusações "mal-intencionadas" sem lhes dar uma resposta específica.
"Se alguma coisa fosse verdade, já nos teriam prendido há muito tempo", retorquiu com veemência o vice-presidente do grupo parlamentar da AfD, Markus Frohnmaier.
Segundo Henrichmann, que indicou documentos estratégicos do Kremlin (presidência russa), o AfD está "sob total controlo" da Rússia.
"O Governo federal respondeu às nossas perguntas, e as respostas são públicas", acrescentou o deputado do AfD Stefan Keuter, o que, na sua opinião, comprova o caráter inócuo das perguntas feitas pelo partido nos debates parlamentares.
Após um histórico segundo lugar nas eleições legislativas de fevereiro, o AfD está agora à frente dos conservadores do atual chanceler, Friedrich Merz, em várias sondagens.
Esta formação partidária quer "minar os interesses de segurança alemães", sustentou a social-democrata Sonja Eichwede, observando: "É um verdadeiro perigo para a nossa democracia".
O debate parlamentar centrou-se também nos planos de viagem de deputados da extrema-direita à Rússia.
Frohnmaier tinha anunciado a intenção de se deslocar à Rússia na primavera, invocando a necessidade de manter o diálogo aberto com Moscovo, antes de retroceder.
A Rússia é acusada, apesar de negar as acusações, de uma vasta campanha de espionagem, de desinformação e de sabotagem não só na Alemanha como noutros países da Europa.
