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Morrer no deserto, à fome, à sede ou dos ferimentos: o cenário de horror de quem foge da guerra no Sudão

Milhares de pessoas estão em fuga da capital do Darfur do Norte, a região sudanesa tomada pelas forças rebeldes. Quase três anos depois do início da guerra civil no Sudão, as Nações Unidas dizem que a violência e a fome no país estão fora de controlo.

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Em pouco mais de uma semana, terão conseguido fugir de Al-Fashir, a capital da região sudanesa do Darfur do Norte, mais de 70 mil pessoas. Muitas outras terão tentado, mas não sobreviveram a ferimentos, ao deserto, à fome e à sede.

Alguns dos sobreviventes estão agora a recuperar num hospital de campanha dos Médicos Sem Fronteiras. Fatuma está a tomar conta de três crianças que perderam os pais e o irmão. O bebé tem apenas 40 dias. Os pais morreram num ataque de drone, quando regressavam a casa depois de terem ido buscar comida.

Ao fim de 18 meses de cerco, as chamadas Forças de Apoio Rápidas, as milícias que lutam pelo poder no Sudão, entram em al-Fashir, um dos últimos bastiões controlados pelo exército regular sudanês.

Depois de inúmeros relatos de execuções sumárias, as organizações humanitárias temem pela população que ficou para trás.

“Um dos nossos principais receios diz respeito a todos os civis que ainda estão presos em al-Fashir. Conseguirão sair? Em que condições se encontram? Neste momento, a situação dos que estão a chegar é muito preocupante: desnutrição, falta de cuidados médicos e falta de todos os bens essenciais, a começar pela água e pela comida”, conta Mouna, da equipa dos Médicos Sem Fronteiras.

Desde o início da guerra, em abril de 2023, terão morrido mais de 150 mil pessoas, vítimas diretas dos combates. As Nações Unidas estimam que além destas mortes, mais de meio milhão de crianças tenham morrido por falta de água e de alimentos.