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Com medo de ter comida envenenada ou cuspida, Sarkozy adotou dieta invulgar na prisão

O ex-presidente francês, que enfrentou um ambiente hostil com várias ameaças de morte, recusou-se a comer as 'clássicas' refeições da prisão.

Com medo de ter comida envenenada ou cuspida, Sarkozy adotou dieta invulgar na prisão
Ludovic Marin

Durante os 20 dias em que esteve preso na penitenciária de La Santé, em Paris, Nicolas Sarkozy viveu como um homem cercado por desconfianças e com uma dieta própria. O antigo presidente francês recusou-se a comer qualquer refeição preparada na prisão, temendo que a sua comida pudesse ser envenenada ou cuspida pelos outros reclusos.

De acordo com o jornal Le Point, Sarkozy passou a comprar todos os alimentos na cantina e a preparar as próprias refeições, convencido de que a sua condição de ex-chefe de Estado o tornava alvo de ódios acumulados.

Um 'cardápio' fora do vulgar

Sarkozy adotou um cardápio invulgar: entre os itens preferidos estavam o atum em óleo e os iogurtes, que terão passado a constituir praticamente a sua dieta exclusiva.

O clima entre os prisioneiros, segundo fontes próximas, era tenso: três reclusos terão ameaçado matar Sarkozy dentro da prisão.

Um vídeo divulgado nas redes sociais acentuou o ambiente de hostilidade. Num dos registos, um preso gritava ameaças como: "Vamos vingar Kadhafi! Devolve os milhões de dólares!", numa referência à acusação de que Sarkozy teria recebido dinheiro do regime líbio para financiar a sua campanha presidencial de 2007.

Em liberdade mas sob várias condições

Apesar da libertação, Nicolas Sarkozy não poderá deixar o país nem manter contacto com o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, cuja visita à prisão gerou mal-estar entre magistrados e acusações de interferência política.

Sarkozy tornou-se, a 21 de outubro, o primeiro ex-presidente francês preso desde a Segunda Guerra Mundial e o primeiro ex-chefe de Estado de um país da União Europeia a ser preso.